14/01/2016

Antiga Estação Ferroviária da Boavista


Apesar de só restar o principal edifício da estação, a sua história já é amplamente conhecida. O Porto foi dotado de uma estação de nome oficial «Estação Ferroviária Porto-Boavista» que ficou bem mais conhecida por Estação da Boavista. Foi projectada pela Companhia de Caminho de Ferro do Porto para ligar a cidade até à Póvoa de Varzim e, apesar de ter sido inaugurada em 1875, a construção desta importante estação foi apenas concluída em 1876. Mais tarde, a linha ganhou outros troços e maior importância através de várias ligações (Famalicão, Senhora da Hora, Guimarães), ganhando um interface mais perto do centro da cidade na zona da Trindade (durante os anos 30).

Apesar do fluxo de passageiros da Estação da Trindade ter ultrapassado em muito esta estação, nunca deixou de representar o seu papel no conjunto de linhas ferroviárias senão até meados de 2000, quando acabou por ser desmantelada em virtude das obras para adequar antigas vias ao metro e no decorrer das alterações da Porto 2001. A partir de então o El Corte Inglês manifestou todo o interesse em usar o terreno do terminal férreo desmantelado para erguer uma nova loja no Porto. Claro que devido a critérios mal estudados – ou até mais mal pensados – o El Corte Inglês acabaria por se instalar antes em Vila Nova de Gaia no decorrer de um parecer negativo da Câmara Municipal do Porto durante o mandato de Rui Rio.

A área do terreno desaproveitado a norte da Praça Mouzinho de Albuquerque e o edíficio da Estação (a azul).


Os argumentos para esta nega da câmara baseavam-se em lógicas de riscos para o comércio tradicional na área; depois passaram para os riscos do esvaziamento de esvaziamentos da baixa e, na verdade, percebemos que não há lógica nenhuma no que se baseia em mesquinhices quando ironicamente se pretendia transformar o Mercado do Bolhão (ícone do comércio tradicional!) num shopping e, posteriormente, assistimos ao desenvolvimento dos serviços e do comércio na zona de Gaia onde se instalou o novo El Corte Inglês.

Independentemente da questão do Porto (não a sua área metropolitana, felizmente) ter perdido o El Corte Inglês, que manteve mesmo assim o interesse em instalar-se na Boavista, o terreno e a estação (esta ainda pertence ao Estado) permaneceram abandonados. Será difícil contemplarmos nos próximos ano alguma utilidade válida que não assombre aquela área desperdiçada, ao qual não somos imunes à idealização de mais um espaço verde que ligasse a Estação de Metro do Porto à Praça Mouzinho de Albuquerque e uma estação transformada em café ou em qualquer outro tipo de serviço em lugar de no seu conjunto constituírem mais um espaço desprezado sem utilidade. Mas o El Corte Inglês ainda pode acabar por levar a cabo a sua intenção inicial de ocupar o espaço vazio, o que afinal de contas não seria tão mau.

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