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04/04/2016

Prédio Nºs 109 - 113 na Rua do Bonjardim

Um dos mais pequenos prédios da Rua do Bonjardim é dotado de uma aparência peculiar que causa curiosidade e estranheza mesmo entre os turistas. Já foi uma cervejaria muito conhecida para quem transitava pelo centro da cidade – a Cervejaria Stadiun – e é evidente que apresenta as características ideais para funcionar como cervejaria ou pub, embora já se encontre abandonada há um bom tempo.

Distingue-se por causa da sua fachada gótica que data de 1922, executada por vontade da Parceria Vinícola do Norte Lda., tendo demolido as entradas originais do pequeno prédio para conter os novos, de portas em ferro e vidro com três arcos ogivais sustentados por colunas de capitéis com folhagens. À decoração da fachada juntam-se outros detalhes, como os pináculos com cogulhos. O seu interior também foi inteiramente remodelado no mesmo ano, pois a Parceria Vinícola do Norte pretendia fazer do mesmo um edifício social com uma funcionalidade adequada.

É perfeitamente natural que com o passar dos tempos o pequeno prédio tenha sido alterado, mas não perdeu a sua graça ou a fachada exclusiva que o caracteriza.

Junto ao pequeno prédio situa-se outro, bem mais alto, certamente contemporâneo dos Nºs 109 - 113 (não da fachada revivalista, mas do prédio original) que se encontra igualmente devoluto – se o conjunto fosse devidamente aproveitamento, um como bar/pub e outro possivelmente como hostel, esta parcela da Rua do Bonjardim teria uma aparência bem mais convidativa.

14/03/2016

Prédio Nº182 na Rua dos Mártires da Liberdade

Entre os vários edifícios que se podem encontrar na Rua dos Mártires da Liberdade, existe uma habitação que ocupa todo um prédio e cuja fachada se destaca da maioria. Trata-se do Nº182, um prédio dotado de uma certa elegância com uma fachada de granito cuja composição ecléctica se deixa influenciar pelas linhas de José Marques da Silva e pela arquitectura medieval – sobretudo a nível das janelas do primeiro piso, sobrepujadas por um arco gótico.

Este revivalismo medieval encontra ecos na arquitectura da época, principalmente entre as obras emblemáticas de maior destaque, mas não nos foi possível identificar até ao momento o arquitecto responsável pelo projecto deste prédio singular, embora não nos surpreendesse que fosse uma obra de Francisco de Oliveira Ferreira (1884 – 1957), discípulo do próprio José Marques da Silva e de José Teixeira Lopes, tendo projectado dentro do mesmo período o prédio do Club dos Fenianos Portuenses, de 1919.

Do pouco que sabemos sobre esta casa resta-nos o nome do seu primeiro proprietário, Joaquim Ferreira da Costa, que a mandou construir em 1918 para nela habitar. Com uma fachada quase inteiramente coberta de granito, cuja leveza é mais assegurada pelas janelas e pela presença de arcos, sobretudo o que rasga o segundo piso e é apoiado por uma coluna dórica e dispõe de uma balaustrada, quase passa despercebido o curto painel de azulejos azuis e brancos com elementos vegetalistas que podemos encontrar noutros tons noutras moradias e prédios do início do século XX espalhados pela cidade do Porto, que não seguem apenas as linhas da Arte Nova, mas que representam de forma inequívoca o Green-Man com a fidelidade de uma linha revivalista gótica presente noutros elementos decorativos da arquitectura da cidade que permaneceu viva e adaptada a novas correntes estilísticas. 

28/01/2016

Aldrabas do Século XIX

Alguns dos elementos mais característicos das típicas casas burguesas do Porto são as suas aldrabas de ferro, sendo as mais notáveis datadas da segunda metade do século XIX mas também do início do século XX. O Banco de Materiais da Câmara Municipal do Porto tem algumas – talvez demasiado poucas – em sua posse e, enquanto não se valoriza mais ou existe uma norma de protecção sobre este elemento, prevê-se que os melhores exemplos que já identificamos venham a desaparecer.

Uma das aldrabas mais conhecidas e até generalizadas são em forma de mão, que já foi designada erradamente de “Mão de Fátima”, pois tudo indica que sejam de influência francesa e provenientes do Romantismo, se bem que careçam de um estudo mais profundo para equiparar a outros exemplares espalhados pela Europa (e não só).
Por outro lado, temos as aldrabas em forma de rosto e, embora sejam mais raras e as que restam estejam em risco de se perderem, em relação às mesmas já temos menos dúvidas quanto à sua proveniência. São certamente influenciadas pelo Romantismo e apresentam detalhes revivalistas, tanto mais que várias, compostas de folhagens, são de inspiração gótica e em tudo se assemelham aos “Green-man” ou Máscaras de Folhagem que surgem em capitéis, frisos e mísulas das catedrais e igrejas medievais e até manuelinas (tardo-góticas). Uma vez que identificamos escassos exemplos de rostos com klaft (espécie de turbante ou toucado) egípcio, comprovam a teoria de que sejam mesmo inspirados pelo revivalismo próprio do período romântico.

Contudo, a maioria dos exemplares que encontramos, principalmente das peças de maior elaboração, encontram-se oxidados e a necessitar de um urgente restauro – o que prevemos que, infelizmente, não venha a acontecer. 

15/01/2016

O Quiosque do Largo Mompilher foi Retirado

A notícia foi avançada muito recentemente por um dos nossos seguidores e hoje foi noticiada. Finalmente o Quiosque Japonês (ou o que resta dele) do Largo Mompilher foi retirado para ser devidamente restaurado, desta vez pelos próprios serviços municipais. 

O Quiosque diferenciava-se dos demais por ser privado - não podendo o munícipio intervir prontamente na salvaguarda deste bem devoluto -, pelo que só a classificação de Imóvel de Interesse Público poderia tê-lo poupado a um destino pior.

Ainda não há uma data avançada para a sua recolocação, mas pelo menos será devidamente poupado ao vandalismo e abre-nos as expectativas de o vermos com um aspecto mais digno. 

Ver mais sobre o quiosque em: http://portosombrio.blogspot.pt/2016/01/o-quiosque-japones-do-largo-mompilher.html

Fonte:

http://www.publico.pt/local/noticia/quiosque-japones-do-porto-foi-retirado-para-ser-recuperado-1720257



11/01/2016

O Quiosque Japonês do Largo Mompilher

Mesmo após o incêndio que devastou parte da estrutura no mês de Junho de 2014, tendo sido classificado como Imóvel de Interesse Municipal e ter dado que falar nas várias notícias e reportagens sobre o seu estado degradado e a urgência em reabilitá-lo, o velho Quiosque Japonês no Largo Mompilher continua igual. Já o referimos no passado e pouco ou nada mudou.

Data dos anos 30 do século XX este quiosque em madeira revivalista que se destaca pela sua cor vermelha e continua a ser privado. No mesmo local chegou a existir um quiosque de ferro forjado (de 1910) e durante décadas esteve em funcionamento como local de venda de revistas e jornais.

Ignoramos o motivo pelo qual deixou de funcionar e se manteve fechado (e em relação a assuntos privados também não nos cabe aqui especular). O que sabemos é que essa é uma das razões para o qual se tornou em mais um bem inestimável devoluto; a outra principal razão é o vandalismo efectuado durante a noite, que nunca foi capaz de estimar o que tantos desejariam ver novamente em funcionamento e reabilitado.

Custa pensar que mesmo diante do seu diminuto tamanho, e sobretudo pelo seu valor histórico, o quiosque deste largo vai continuar igual — devoluto, sem utilidade e desprotegido.

01/09/2014

Torreões da Quinta dos Castelos


Perto do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Coimbrões, em Vila Nova de Gaia, existe um terreno desaproveitado com um conjunto de monumentos misteriosos que chamam a atenção devido ao ar de mistério que transmitem. Além de uma torre no centro do terreno coberto de mato, existe um pequeno conjunto de torreões que lembra a entrada magnânima de um castelo, virada para a linha de comboio. Na verdade trata-se do que sobreviveu de uma propriedade conhecida na zona por Quinta dos Castelos e, como esta entrada composta de pórtico é composta de três torrões, ou por ser o terceiro elemento evidenciado como "castelo" da quinta, a propriedade também é conhecida por Quinta dos Três Castelos.

Esta construção invulgar nasceu da visão do proprietário Bernardo Soares de Almeida que em 1907 imaginou erguer um muro em betão coberto de ameias segundo o gosto revivalista da própria casa já demolida (no lugar onde hoje está instalado o quartel dos bombeiros e uma escola). 


Custa-nos compreender porque o terreno onde se situa esta curiosa construção nunca foi reaproveitado devidamente ou porque estes torreões de betão se encontram em estado de abandono. Estamos certos que no passado albergou um jardim luxuriante e bem tratado, do qual persistem diversos elementos como uma torre e uma pequena gruta artificial que conteria um lago, ambos vistos através de um elegante portão com gradeamento já enferrujado; hoje é apenas um local de meter medo, inspirando todo o género de mitos urbanos bem conhecidos entre a população local que encara este conjunto de monumentos sombrios apenas com desagrado.

24/03/2014

Palacete da Rua do Bonjardim


Em 1906, Custódio José da Costa, morador na Praça da Trindade, pede licença para a construção de um notável palacete tipo chalet na sua propriedade junto da Rua do Bonjardim. Encomendou o desenho da obra ao engenheiro António Rigaud Nogueira, igualmente responsável pelo projecto de outro palacete semelhante no Nº1316 da Rua de Santa Catarina (que é posterior).

Neste terreno terá existido outro prédio, que foi demolido para dar lugar a este palacete com influências e traços neogóticos, do qual é mais característico o torreão de planta hexagonal. Rasgado por dezenas de janelas, contendo ainda varandas com balaustradas, a nível decorativo destaca-se pelos azulejos verdes que cobrem todas as fachadas e os trabalhos em ferro forjado dos gradeamentos que já sugerem uma influência da Arte Nova.


Este edifício notável já não está à venda; ao que tudo indica, felizmente, será reabilitado por particulares. 

11/03/2014

Casa Neomanuelina da Foz


A Casa Neomanuelina, também conhecida por Casa do Relógio (por ter um relógio de sol incorporado) nunca deixou de atrair a curiosidade e o fascínio dos muitos visitantes que passam pela zona da Foz, na Avenida Brasil.

Fascinante e emblemática, é única na cidade do Porto. O projecto da casa terá sido desenvolvido por volta de 1907 e a sua construção prolongou-se até 1910, segundo vontade do capitão republicano Artur Jorge Guimarães e da sua mulher Beatriz. O desenho da casa é atribuído ao arquitecto José Teixeira Lopes − irmão do famoso escultor António Teixeira Lopes − igualmente responsável pelo projecto da sede do Banco de Portugal no Porto (em colaboração com Ventura Terra) e da casa do irmão (actual Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia).

Nesta casa, o revivalismo do Manuelino funde-se com os preceitos de uma bela moradia de quatro andares com um torreão central, quase palaciana, própria dos inícios do século XX. Realça-se a sua riqueza escultórica, de arcos e colunas, janelas emolduradas, a par dos magníficos azulejos com motivos dos Descobrimentos. Nos seus pormenores decorativos podemos contemplar cordames e as cruzes da Ordem de Cristo, além do relógio de sol que lhe deu o nome.


A questão é: Como pode uma casa tão emblemática permanecer neste estado, votada ao abandono? Aparentemente, a viúva do capitão Artur Jorge Guimarães deixou a moradia após o falecimento do marido, tendo-a deixado para os seus herdeiros, mas terá sido ilegalmente ocupada por um sapateiro durante os anos 70 do século XX, que dela fez a sua casa e local de trabalho. O sapateiro terá negligenciado a casa e entrou em litígio com os herdeiros da casa, processo que se arrastou nos tribunais durante anos e que nunca se acabou por resolver.

O sapateiro acabou por sair da casa, mas desde então, esta permaneceu abandonada. O seu interior acabou por servir os interesses de vândalos que não o pouparam. Para maior constrangimento da situação, as nossas últimas informações dão conta que a casa chegou a estar na lista para classificação de património, mas foi retirada pelo IGESPAR em 2008, por motivos que nos são alheios. Dificilmente ficaremos alheios à tristeza que causa aos que contemplam a sua impressionante fachada, virada para o mar, à espera de uma valorização mais adequada.

24/01/2014

A Fábrica de Cerâmica das Devesas


A antiga fábrica de Cerâmica das Devesas foi fundada nos anos 60 do século XIX pelo canteiro marmorista António Almeida da Costa que fez sociedade com o notável escultor e ceramista José Joaquim Teixeira Lopes e outros. Juntos, criaram uma das mais importantes e bem-sucedidas fábricas de cerâmica da Península Ibérica, cujos produtos vieram a ter uma ampla aplicação na arquitectura do nosso país. Só para se ter em conta a sua importância, convém referir que José J. Teixeira Lopes, principal artista da fábrica, criou um curso de desenho e modelação que influenciou uma geração inteira de artistas, dando origem à Escola Industrial Passos Manuel, em Vila Nova de Gaia, e servindo de inspiração para os seus dois bem-sucedidos filhos António Teixeira Lopes (escultor) e José Teixeira Lopes (arquitecto).


A Fábrica de Cerâmica das Devesas tornou-se um gigantesco complexo industrial que incorporou os melhores artistas da época. Actualmente, num único passeio pela cidade do Porto, é possível reconhecer casas e palacetes cobertos de azulejos ou com tijolos e estatuetas originais desta importante fábrica.


Como complexo industrial, estendeu-se à própria Estação Ferroviária das Devesas e deu origem a um completo bairro operário no qual residiam os seus trabalhadores. A fábrica chegou a ter a sua própria fundição onde foram explorados objetos decorativos em ferro. A sua loja no Porto, na Rua José Falcão, que corresponde a um palacete revivalista islâmico, ainda conserva o que esta fábrica produziu de melhor, com uma bela fachada revestida de azulejos neoárabes. Temos aqui o melhor exemplo da associação entre a arte e a indústria que resultou numa grande empresa de qualidade – uma característica que parece ser de outros tempos, quando Portugal foi um país de maior capacidade produtiva.


A Fábrica de Cerâmica das Devesas é no mínimo emblemática e tem espaço mais que suficiente para servir de museu e albergar serviços ou pequenas empresas. Esteve inclusive para ser transformada num museu em meados dos anos 80 do século XX, quando já estava encerrada. E até o IGESPAR esteve em vias de classificá-la, nos anos 90. No entanto, na actualidade, continua desaproveitada e é uma pena, pois toda a sua recuperação (a par de outros locais emblemáticos como parte da Fábrica do Fojo e a Fábrica de Santo António do Vale da Piedade) catapultaria Vila Nova de Gaia como uma séria cidade candidata a ser classificada pela UNESCO, que só poderiam nomear todos estes complexos no seu conjunto como o melhor dos exemplos do património industrial da cerâmica do norte de Portugal que caracterizou toda uma época.




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