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31/03/2016

Moradia de Joaquim Soares da Silva Moreira

Já aprendemos há algum tempo que nem as obras dos mais notáveis arquitectos de Portugal escapam a este desprezo e total ausência de manifesta vontade por parte das autoridades competentes ou gente responsável que permitem que casas únicas sejam votadas ao abandono durante muitos anos a fio e acabem por se degradar. Receamos que o mesmo venha a acontecer com esta moradia que se situa na Rua de D. João IV, tendo sido projectada pelo distinto arquitecto José Marques da Silva.

Na época em que foi erguida esta era a Rua Duquesa de Bragança que replicava o exemplo de construção de palacetes e mansões de uma burguesia próspera que eram vísiveis noutras ruas da freguesia do Bonfim (talvez a mais rica em termos de arquitectura civil e particular da cidade do Porto), fenómeno que já se vinha a verificar desde finais do século XIX. 

Esta moradia, procurando imitar alguns dos modelos existentes, mas ainda assim original em vários aspectos, foi erguida segundo vontade do proprietário Joaquim Soares da Silva Moreira, comerciante de torna-viagem original de Moreira da Maia, que não só foi vereador da Câmara Municipal do Porto e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, como se destacou enquanto administrador do Banco Aliança e como accionista da Companhia Aurífica. Marques da Silva projectou-a em 1904 para o seu cliente, mantendo alguma fidelidade para com a arquitectura portuense da época, mas ainda assim conjugando-a com as linhas das Beaux-Arts de Paris, tendo escolhido os melhores materiais através de uma notória ausência de restrinções orçamentais.

Mais tarde a moradia sofrerá novas alterações. Em 1914 é acrescentada uma varanda virada para o jardim e em 1925 uma garagem no quintal, dispondo de arrecadações no piso superior. Ainda hoje se distingue pelo seu jardim, que cobre uma área situada num estreito entre a Rua D. João IV e a Rua Comandante Rodolfo de Araújo, ambas com ligação à Rua de Fernandes Tomás. Os gradeamentos de linhas sinuosas e os jarrões em granito que ladeiam os portões são um exemplo de outros detalhes interessantes.

21/03/2016

Escola Secundária Alexandre Herculano com Tectos a Cair e Pisos a Aluir

Infiltrações de água, tectos a cair, aluimento de pisos e derrocadas, caixilharias das janelas apodrecidas e sobrecargas eléctricas sistemáticas na Escola Secundária Alexandre Herculano da autoria de José Marques da Silva… É isto que relata o JN da passada sexta-feira.

Já há algum tempo que temos dado conta de relatos do género e já foi anunciado que esta escola, projecto de um dos mais notáveis arquitectos da cidade do Porto, necessitaria de obras, mas não julgávamos que o caso fosse tão (apesar da presença de musgo na fachada principal já nos ter causado alguma preocupação).

Esta escola é um ícone da arquitectura civil portuguesa do início do século XX e é mesmo difícil acreditar que nos últimos anos não se fizeram as obras de manutenção mais básicas para evitar prejuízos piores ou garantir a sua dignidade – tanto mais com as centenas de milhões de euros que já foram gastos (em parte esbanjados/desperdiçados) com a Parque Escolar! Em matérias civilizacionais há que saber definir prioridades e antes de se falar simplesmente do património há que salientar que a Saúde e a Educação não se brinca; afinal são dois pilares valiosos da nossa sociedade, não são? E com sentimentos de exclusão deve-se brincar ainda menos, a não ser que queiramos regredir ao século XIX: o caso desta escola parece descrever um dos mais tristes problemas que a população do Porto enfrente há décadas (ou talvez mais), que é a sua divisão por uma área ocidental e oriental, fazendo com que os habitantes de Bonfim e Campanhã (sobretudo os de Campanhã) continuem a ser mais prejudicados.

Por curiosidade, não reunimos até ao momento o mesmo tipo de relatos graves na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, que é justamente da autoria do mesmo arquitecto e da mesma época… Embora possamos estar errados no que toca à sua manutenção, a título de comparação, isso dá que pensar.

14/03/2016

Prédio Nº182 na Rua dos Mártires da Liberdade

Entre os vários edifícios que se podem encontrar na Rua dos Mártires da Liberdade, existe uma habitação que ocupa todo um prédio e cuja fachada se destaca da maioria. Trata-se do Nº182, um prédio dotado de uma certa elegância com uma fachada de granito cuja composição ecléctica se deixa influenciar pelas linhas de José Marques da Silva e pela arquitectura medieval – sobretudo a nível das janelas do primeiro piso, sobrepujadas por um arco gótico.

Este revivalismo medieval encontra ecos na arquitectura da época, principalmente entre as obras emblemáticas de maior destaque, mas não nos foi possível identificar até ao momento o arquitecto responsável pelo projecto deste prédio singular, embora não nos surpreendesse que fosse uma obra de Francisco de Oliveira Ferreira (1884 – 1957), discípulo do próprio José Marques da Silva e de José Teixeira Lopes, tendo projectado dentro do mesmo período o prédio do Club dos Fenianos Portuenses, de 1919.

Do pouco que sabemos sobre esta casa resta-nos o nome do seu primeiro proprietário, Joaquim Ferreira da Costa, que a mandou construir em 1918 para nela habitar. Com uma fachada quase inteiramente coberta de granito, cuja leveza é mais assegurada pelas janelas e pela presença de arcos, sobretudo o que rasga o segundo piso e é apoiado por uma coluna dórica e dispõe de uma balaustrada, quase passa despercebido o curto painel de azulejos azuis e brancos com elementos vegetalistas que podemos encontrar noutros tons noutras moradias e prédios do início do século XX espalhados pela cidade do Porto, que não seguem apenas as linhas da Arte Nova, mas que representam de forma inequívoca o Green-Man com a fidelidade de uma linha revivalista gótica presente noutros elementos decorativos da arquitectura da cidade que permaneceu viva e adaptada a novas correntes estilísticas. 

19/01/2016

As Obras do “Monumental” continuam…



As obras do antigo Café Monumental continuam… para ser devolvido à cidade do Porto como hotel. É certo e merecido que o anúncio da requalificação deste magnífico edifício situado na Avenida dos Aliados já deveria ter sido destacado há muito – ocorreu em 2014, quando o empresário Mário Ferreira deu a conhecer o seu interesse em adquirir este imóvel dos anos 30, que é um autêntico palacete, para posteriormente apresentar o seu projecto para reabilitá-lo e transformá-lo num hotel de 5 estrelas.

Trata-se de um investimento de 20 milhões de euros que lhe restituirá toda a dignidade. O fim das obras e a sua inauguração como “Hotel Monumental” estão previstos para o início de 2017. Esperamos que desta vez, a ocorrer a próxima visita do Papa ao Porto, um dos mais nobres edifícios da cidade não se encontre completo coberto por toldes para ocultar a sua vergonhosa degradação. Enquanto as obras prosseguem, acompanharemos a sua reabilitação com todo o interesse.

14/01/2014

Edifício Café Monumental


Na Avenida dos Aliados situa-se um dos mais nobres edifícios com ar de palacete da cidade do Porto. Desenhado segundo linhas eclécticas que ressoam motivos renascentistas e do barroco combinadas com conceitos da escola de Beaux-Art de Paris, foi projectado e começou a ser construído no ano de 1925, desenhado pelo arquitecto Michelangelo Soá à sociedade Almeida Cunha Lda., com a ambição de obterem um espaço dedicado ao comércio e com escritórios.

Em 1934, este edifício acomodou um dos principais e mais luxuosos cafés da cidade do Porto – o Café Monumental. Na zona ampla que serviu de salão de exposições, os clientes poderiam assistir a requintados concertos de música. O café não durou muitos anos e, mais tarde, o edifício transformou-se na Pensão Monumental, devido ao nome do café que o consagrou.


Justo será dizer que o edifício já mudou muitas vezes de donos e albergou diferentes serviços, incluindo um stand da Ford e até mesmo uma montra onde se promovia os circuitos automóveis da Boavista. Apesar da SRU dar sinais claros da sua vontade em recuperar este edifício – que permaneceu abandonado durante muitos anos –, pouco ou nada se fez nesse sentido. Já em 2005, uma empresa imobiliária, a CasaPorto, procurou aproveitar o espaço, promovendo a sua reabilitação em simultâneo com uma demonstração de design de interiores. Tal não surgiu os efeitos esperados. Em 2010, várias notícias e artigos de opinião pessoal acusavam o abandono deste edifício, quando o papa Bento XVI visita a cidade e a nobre fachada de granito foi ocultada por painéis para que o célebre visitante não reparasse no seu ar degradado.

O edifício do Café Monumental permanece abandonado, apesar da sua localização privilegiada. Mesmo assim, não pode deixar de ser apreciado pelos muitos visitantes do Porto que, tal como uma grande maioria de cidadãos, anseiam pela sua reabilitação e posterior funcionalidade.

08/01/2014

Mercado do Bolhão


O Mercado do Bolhão começou por ser uma pequena praça estabelecida no século XIX pela Câmara Municipal do Porto para servir de local de comércio. Essa praça conteve um lameiro atravessado por um riacho que formava uma autêntica bolha de água, que deu origem ao termo “bolhão”, que passou a designar o mercado. Só mais tarde, já em 1914, foi projetado o edifício eclético e monumental, inspirado na arquitectura francesa, que hoje conhecemos como o Mercado do Bolhão, desenhado pelo arquitecto Correia da Silva.

Passaram-se cem anos e o Mercado do Bolhão continua a suscitar todo o interesse. Mesmo as mais variadas alterações das últimas décadas não desvirtuem por completo a magnífica essência que os mais pequenos elementos transmitem. As esculturas clássicas de Mercúrio e Ceres continuam a ser uma alegoria para a Agricultura e o Comércio, os azulejos numa escadaria, referentes ao vinho, dão conta da importância do mercado a nível da promoção regional.



Temos aqui um belo monumento e uma futura praça de comércio tradicional, cuja reabilitação, sendo coerente e equilibrada, marcaria a cidade do Porto, promovendo o que há mais de característico numa cidade burguesa, invicta, que se deixa conduzir pelos melhores preceitos do seu rico passado.

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