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29/04/2016

Cavalete do Poço de S. Vicente

Integrando o antigo complexo mineiro de S. Pedro da Cova e classificada como Monumento de Interesse Público, a estrutura não escapa aos olhos dos curiosos que visitam esta freguesia de Gondomar com características únicas.

Dispondo de seis andares, a torre-cavalete de betão armado foi projectada em 1934 e terminada em 1936 para substituir a antiga estrutura de madeira que explorava o Poço de S. Vicente, que se tornou o principal poço de extracção de carvão durante os anos 30. Ao todo teria treze pisos e na torre (de seis pisos à superfície) funcionavam as roldanas que puxavam o elevador. Tendo deixado de funcionar durante os anos 70 do século XX, permaneceu abandonado e foi-se degradando com o passar dos anos. De certa forma emblemático e valorizado pela população local, moveram-se esforços para que fosse classificado (tal veio a acontecer em 2010) e com essa intenção fosse reabilitado e protegido – tal se deve sobretudo ao Movimento Cívico em Defesa do Património Histórico-Cultural de S. Pedro da Cova.

Mas mesmo com este património agora valorizado espanta que o Cavalete do Poço de S. Vicente ainda se encontre em risco. O risco é de tal ordem que necessita de uma reabilitação urgente – caso contrário, segundo os especialistas da FEUP que conduziram recentemente um estudo para conservação desta estrutura, se nada se fizer a curto prazo, a sua degradação irreversível levará à perda de um bem que a freguesia só poderá recuperar futuramente se a reconstruirem. 

Ver também:


As Ruínas do Complexo Mineiro de S. Pedro da Cova



S. Pedro da Cova é, tal como muitos outras freguesias e territórios da Área Metropolitana do Porto, um completo diamante em bruto no qual ainda há muito a trabalhar para que futuramente se torne muito mais atractivo. Com uma actividade industrial visível, a cultura local é indissociável das velhas minas de antracite (carvão) que funcionaram desde os finais do século XVIII até aos anos 70 do século XX e das serras verdes que as separam de Valongo; tirando proveito destas duas características importantes, já se deram os primeiros passos para uma valorização substancial da freguesia com a criação do Museu Mineiro e o começo da constituição de um importante parque natural que, sendo bem gerido e devidamente reflorestado com espécies autóctones (não com a manutenção da praga de eucaliptos) prometerá causar um impacto ambiental muito positivo para o território, sem esquecer o potencial dos campos e das áreas de cultivo locais, já que S. Pedro da Cova ainda está marcado por uma ampla ruralidade.

No entanto, no muito que ainda há por fazer, admira que não sejam previstas tomadas de melhores atitudes em relação às ruínas e o conjunto de edifícios devolutos que ainda permanecem num território onde outrora laboraram activamente milhares de homens (e mulheres!) em condições extremamente duras. O desolado complexo, parcialmente ocupado por mato, está nos dias, de hoje tão silencioso quanto perigoso – quem se aventura pelo local corre sérios riscos, seja por causa do terreno incerto, seja por causa das estruturas e restos de edifícios que podem desabar a qualquer momento (nem sequer existe uma vedação ou avisos de PERIGO, impedindo crianças ou os mais incautos de ali se aproximarem).


Entre as ruínas, o que mais salta à vista é o Cavalete do Poço de S. Vicente (por onde descia um elevador de acesso às minas), uma estrutura de betão armado em forma de torre dos anos 30 do século XX. A curta distância encontra-se o que resta do antigo edifício da Lavaria (onde se procedia à lavagem do carvão), que de tão devastado que está corre a qualquer momento o risco de cair. Bem próximos localizavam-se também a Casa das Máquinas e outros edifícios de apoio, que serviam para armazenagem de vários bens, incluindo ferramentas e as famosas “zorras” que serviam para transporte de matéria-prima. O complexo incluía ainda uma cooperativa, a casa da direcção, farmácia, escola, capela, balneários, casas de lavoura e residência para trabalhadores. Outrora existia o Cabo Eléctrico que fazia a ligação por via aérea entre as minas e os depósitos na cidade do Porto, que foi desmantelado nos anos 70, após o encerramento do local, que permanece abandonado desde então.




Os antigos mineiros e grande maioria de outros colaboradores que trabalharam diariamente no complexo não são boas devido às condições desumanas a que estiveram sujeitas, mas a ideia de que todo este património permaneça abandonado, por piores que sejam as suas memórias, também lhes causa um amplo desagrado, apesar da existência do Museu Mineiro que ocupou a antiga Casa da Malta, a residência para trabalhadores oriundos de outras zonas do país. Para bem e para mal, as minas fazem parte da sua história… e da história do seu território.

18/04/2016

Fábrica CUF do Freixo



Se na actualidade temos muitos motivos para lamentar o fecho e desmantelamento de muitas unidades fabris espalhadas pela Área Metropolitana do Porto que eram responsáveis pela permanência de milhares de emprego e linhas de produção emblemáticas e distintas que eram motivo de orgulho da região também lamentamos que as escolhas da sua localização e o impacto ambiental não tivessem sido as melhores. Por isso é que mete alguma pena que os terrenos da ampla e verdejante propriedade da Quinta do Freixo tivessem sido ocupadas por unidades fabris durante o século XIX que também contribuíram muito para danificar a nobre casa projectada por Nasoni e descaracterizar a paisagem que hoje pode ser uma mais-valia no aproveitamento de uma boa área da freguesia de Campanhã como exclusiva zona de campo, pensada para o turismo e lazer.

Mas se será difícil um dia interligar a Quinta do Freixo com o Parque Oriental bem próximo, estabelecendo roteiros com outras quintas e caminhos de bosques com trajectos aprazíveis seguros (esta idealização fantástica envolveria decerto uma ampla transformação urbanística e paisagística que actualmente não é possível), pelo menos as instalações fabris construídas nas imediações sempre podem servir um propósito mais apelativo e integrar-se coerentemente com o melhor que a Pousada do Porto possibilitou na zona oriental da cidade em termos de urbanismo.



Lamentavelmente, mesmo que a reabilitação do Palácio do Freixo e a Fábrica de Moagens Harmonia se apresenta como algo de magnífico, constatamos que as áreas que a rodeiam estão mal aproveitadas e ainda temos conjuntos de ruínas fabris bem próximas que dão a sensação que a Pousada do Freixo é uma ilha de distinção numa área urbana parcialmente votada ao desprezo e ao abandono, não permitindo sequer que a Marina do Freixo e o Museu da Impressa façam ampla diferença (com acessos rudes que deixam um tanto a desejar). E o caso mais próximo, quase adossado à Pousada e encarado pelos turistas que passeiam junto à margem do Douro com pasmo, é a parte correspondente à Fábrica CUF do Freixo, próxima à fronteira com Valbom (Gondomar).

Esta fábrica foi construída em 1888 pela firma Monteiro Santos & Companhia para produção de sabão e velas de estearina, destacando-se deste período de tempo a chaminé de Lino Soares Guedes. Mais tarde, em 1890, foi vendida à Companhia Fabril Douro, que manteve o fabrico de velas. Quatro anos depois é adquirida pela Companhia Alliança Fabril (CAF) que não mantém apenas a produção de estearina como reinicia a produção de sabão, optando por desactivar a fábrica entre 1896/97 para expandir as suas instalações em Lisboa. Em 1902 a Companhia União Fabril (CUF) toma posse da fábrica, reactivando-a em 1911 após uma série de obras e alterações profundas para produzir sabão e óleos vegetais.




Se em 1912 se verificam alguns problemas com a produção de sabão, depressa acabam por ser ultrapassados e a partir desse ano verifica-se um aumento positivo da produção justificando o sucessivo investimento em infraestruturas que são vão verificar ao longo das décadas seguintes, mas as remodelações mais significativas vão-se verificar a partir dos anos 60 do século XX. Um contrato de exploração é firmado entre a CUF e a Floral – Sociedade de Perfumarias e Produtos Químicos em 1967 e em sociedade exploram as instalações fabris do Freixo, pelo que não é por acaso que ainda hoje reconhecemos os logotipos da CUF e da Floral nas ruínas da fábrica. Durante os anos 80 a Floral propõe-se a adquirir a fábrica e a compra é efectuada em 1989 à CUF. Infelizmente, passados poucos anos a fábrica voltou a ser desactivada e foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto. Desde então, mesmo com as tabuletas a anunciar «Propriedade Privada» e tudo dando a entender que é utilizada como local de arrumações da Pousada do Porto (estaremos errados?), mantém-se seriamente degradada. 

02/03/2016

EIF - Empresa Industrial do Freixo



O edifício industrial de betão que actualmente podemos reconhecer a norte do complexo da Central Termo-Eléctrica do Freixo está relacionado com a mesma, embora tenha servido um propósito diferente, antes se relacionando com a indústria química. 

Data de 1947 e foi construído pela UEP (União Eléctrica Portuguesa) para aproveitar o excedente de energia produzida que já se vinha a assinalar desde meados dos anos 30. Esta fábrica, então designada por Empresa Industrial do Freixo, para se distinguir do restante complexo próximo, aproveitou os excedentes de energia eléctrica para produzir carboneto de cálcio e de ferro silício. O carboneto de cálcio é um composto que tem várias aplicações industriais, mas nesta época servia sobretudo para a produção de gás acetileno, que era muito utilizado em lâmpadas. O ferro silício é um material muito necessário em fundições.

Ao escoar os excedentes de produção de energia eléctrica para esta fábrica, que para produzir os elementos que aqui assinalamos teria de dispor de muita energia, a UEP saía muito beneficiada da EIF. A fábrica dispunha de dois fornos distintos: um para produção de cal e outro para obter o carboneto de cálcio, não necessitando mais de que algumas dezenas de operários para produzir continuamente. Deixou de funcionar em 1974 e desde então permaneceu abandonada. 

01/03/2016

Central Termo-Eléctrica do Freixo



O local ocupado pelas ruínas da Central Termo-Eléctrica do Freixo esteve durante muitos anos na posse do Estado (a bem dizer, da REN/EDP) que, mesmo perante o seu desmantelamento e consequente desaproveitamento, teve sempre reticências em vendê-lo a privados, apesar do antigo interesse da antiga Mota & Companhia (actual Mota Engil) em adquiri-lo e do potencial notável que apresenta tendo em conta a vista privilegiada que detém sobre um dos mais assinaláveis meandros do rio Douro.

A origem desta Central Termo-Eléctrica abandonada data do início do século XX, mais precisamente do ano de 1919, quando a empresa espanhola Electra del Lima ergue a sua sub-estação nesta colina de Campanhã próximo à Rua do Freixo, no lugar de Rego-Lameiro. O primeiro edifício da subestação receptora e transformadora erguido pela empresa espanhola seria diminuto em relação ao complexo que se desenvolveria durante os anos seguintes em cooperação com a UEP (União Eléctrica Portuguesa, que estaria na origem da EDP), mas em 1922 já poderia ser reconhecido como um dos introdutores da linguagem Art Deco a par da Casa de Serralves (1925) que viria a definir a arquitectura das ampliações que se seguiriam (alguns reconhecerão, sem dúvida, também uma disposição ecléctica, se bem que estilizada, em combinação da Art Deco com elementos da arquitectura medieval).

Mais tarde, a partir de 1926, perante a vontade da UEP em erguer uma central térmica, foram erguidas a Casa das Caldeiras e a Casa das Máquinas, concluídas durante a primeira metade dos anos 30, acompanhando desse modo a expansão de distribuição de electricidade, em linha com o aumento de produção e da demanda de energia das indústrias têxteis, vidraceiras, cerâmicas e fundições (entre outras), não tendo sofrido muito com a crise que se iniciou em 1929. O complexo ampliado, que ostentava orgulhosamente o logotipo da União Eléctrica Portuguesa, também dispôs de uma Oficina de Montagem e Manutenção de Transformadores e do Edifício das Bombas (embora já existisse uma primitiva casa das bombas da Electra del Lima que aproveitava as águas do rio Douro). Hoje em dia só restam as ruínas da Casa das Máquinas e o Edifício das Bombas (junto à marginal), em linha com a arquitectura que definiu o diferente conjunto de blocos construtivos, segundo o harmonioso projecto de 1927 do engenheiro José Bernardo Corte Real.

O complexo foi actualizando-se ao longo das décadas que caracterizaram o Estado Novo, sobretudo a nível social, com a inclusão de um refeitório e de uma cozinha para os seus funcionários e de dispor de serviços médicos e apoios a partir dos anos 50, mas o seu mais significativo projecto de modernização deu-se a partir do início dos anos 70, com a introdução de novos equipamentos e de uma série de avanços tecnológicos, do qual resta também um edifício acrescentado durante essa época, já distinto devido à sua linguagem modernista. Convém ainda frisar que a primitiva central térmica já se encontrava desactivada desde os anos 60, mas os restantes edifícios ainda se encontravam em funcionamento e o complexo obteve algumas ampliações mesmo durante esta década, o que não impediu a demolição polémica da parte norte da fábrica aquando da sua modernização durante o ano de 1972 (o que é de lamentar), marcando o início do fim desta estação. 

No decorrer da Revolução de Abril de 1974, as principais empresas de electricidade foram nacionalizadas e incorporadas na EDP. Esta estação não sobreviveria durante muito mais tempo e viria a perder importância e a encerrar definitivamente a sua actividade. O que realmente lamentamos é que passados tantos anos ainda se encontre no mesmo estado, mesmo com a recente inclusão na ARU de Campanhã por iniciativa da Câmara Municipal do Porto, sem que entretanto se tenha dado maior valor ao património que representa e como poderia servir outros propósitos, passando pela área do comércio, de hotelaria ou até mesmo da habitação.

22/02/2016

Fábrica de Sá em Ermesinde


Um dos monumentos mais devolutos, mas notáveis, de Ermesinde é justamente mais uma das fábricas que pertenceu ao industrial Manuel Pinto de Azevedo que deixaram de funcionar e que permaneceram abandonadas até aos dias de hoje.

A Fábrica de Fiação e Tecidos de Sá é um dos complexos industriais mais antigos da cidade e foi adquirida por Manuel Pinto de Azevedo em 1928 juntamente com a Fábrica de Tecidos Aliança de Rio Tinto, tendo como seu primeiro sócio-gerente Amadeu Vilar. Contando com centenas de trabalhadores e destacando-se pela qualidade dos seus artigos, Amadeu Vilar era possuído de tamanhas preocupações sociais, pelo que fez questão de instalar uma cantina e uma padaria exclusiva para os seus operários, além de uma cooperativa de consumo, onde poderiam abastecer-se de bens de primeira necessidade.


Numa época em que o sector industrial tinha a sua maior importância para o desenvolvimento económico do país e em muitos exemplos as grandes fábricas eram um símbolo prestigiante de progresso social e tecnológico, a Fábrica de Sá ganhou um merecido destaque e uma valorização tal que as suas doze (!) companhias seguradoras tinham sede em Londres (passando posteriormente para treze, bem assinaladas durante os anos 60).

A fábrica funcionou até meados da segunda metade do século XX, entrando na época de decadência industrial que ainda hoje marca o nosso território e se destaca pela completa machada na produção têxtil (e não só). Tal como outros complexos fabris abandonados de considerada dimensão, carece de um projeto de requalificação que a aproveite, podendo servir outros propósitos que não apenas a área de serviços ou culturais, já que a antiga Fábrica da Telha foi reaproveitada com o mesmo propósito.

08/02/2016

A Fábrica de Conservas Vasco da Gama


No gaveto entre a Rua Conselheiro Costa Braga e a Avenida Menéres situa-se uma das várias unidades industriais de conservas abandonadas de Matosinhos – A Fábrica Vasco da Gama. No entanto, mesmo mantendo em relevo a descrição da empresa a que pertenceu, na realidade é sucessória de uma primeira fábrica, tendo servido de primeiras instalações à produção das conservas d’A Boa Nova, fundada em 1920, enquanto a Vasco da Gama teve a sua primeira fábrica no concelho de Matosinhos na Rua Sousa Aroso antes de se expandir e ocupar a que referimos um bom tempo depois.

Através da gerência desta fábrica confiada a António Costa Neiva e a Narciso Barroso em 1939 dar-se-ia origem à empresa Vasco da Gama Lda., instituída em 1941. A empresa ganhou notoriedade e aumentou em grande parte o volume das exportações, começando ainda a produzir as suas próprias latas de conserva. Infelizmente, esta fábrica encerrou funções em 1995 e desde então permaneceu abandonada e está num estado devoluto. A sua arquitectura segue as linhas da Art Deco e na realidade representa parte do muito interessante património industrial de Matosinhos, pelo que não será de admirar o recente anúncio da intenção da câmara municipal em reabilitar e instalar nesta fábrica o futuro Museu da Diáspora e da Língua Portuguesa, que poderá começar a funcionar a partir de 2017 e cuja notícia reconhecemos com ânimo. 

01/02/2016

Ruínas da Fábrica de Cerâmica do Senhor D’Além

São uma marca de um território há muito desprezado e negligenciado. As ruínas, bem visíveis do outro lado da margem do Rio Douro, fazem parte do conjunto de outras que se encontram em duas encostas paralelas: as ruínas das escarpas das Fontainhas e as da Serra do Pilar.

É triste pensar que só nos últimos anos é que ambos os municípios (Porto e Vila Nova de Gaia) decidiram valorizar estas encostas e procurar intervir no sentido de as tornar mais interessantes a nível paisagístico ou até de proteger o seu património – porque no estado em que ainda estão causam uma má imagem.

As ruínas são o que restam do que na realidade começou como um hospício do século XVIII fundado por monges carmelitas que resistiu até 1834, juntamente com a Ermida do Senhor D’Além (que foi reconstruída várias décadas mais tarde). Posteriormente é que se transformou na Fábrica de Cerâmica do Senhor D’Além, uma das muitas que operou em Vila Nova de Gaia, que funcionou até aos anos 20 do século XX. Desde então o complexo industrial permaneceu abandonado até se transformar num dos montes de ruínas mais conhecidos e notados junto ao Douro.

Mas tal como foi anunciado, já que dispõe de cais e de uma posição privilegiada, prevê-se a sua reabilitação para breve e poderá vir a ocupar um novo hotel.  

28/01/2016

Fábrica Têxtil Vaz Teixeira


Situa-se em S. Mamede Infesta, Matosinhos, mais uma relíquia dos tempos em que Portugal ainda dispunha de um maior desenvolvimento industrial e que o sector secundário era responsável pela criação e manutenção de milhares de empregos no concelho. Trata-se da antiga Fábrica Têxtil Vaz Teixeira.

O que poderia ser um “bom” monumento (parte do património, digamos assim) é actualmente um monte de ruínas – similar a tantas outras velhas e grandiosas fábricas têxteis que vieram a definhar até se extinguir.



Encontra-se no mesmo estado há cerca de dez anos, a marcar com um peso lúgubre a paisagem. Aliás, o pior golpe que terá sofrido foi desencadeado por um grande incêndio em meados de 2006 (poucos anos após fechar) que lançou o pânico na vizinhança. Devido a esse golpe que devastou a fábrica, encontra-se entaipada com paredes de tijolos, constituindo uma configuração insólita que combina o tijolo e o cinzento betão numa amálgama ainda exposta ao vandalismo. Mais uma lembrança amarga da decadência que atentou contra as manifestações de progresso de décadas anteriores…

20/01/2016

As Ruínas da EFANOR


Ainda hoje se debate se o estado de abandono avançado que resultou na completa degradação de uma das mais interessantes partes do imenso complexo da EFANOR de Matosinhos e do seu magnífico motor e parte de uma turbina a vapor é um crime contra o património industrial da região. Um crime algo irónico, pois representa apenas uma pequena parte de um complexo quase inteiramente demolido para dar lugar a outros empreendimentos que não pareceu ferir as susceptibilidades dos que defendem a protecção de vestígios industriais emblemáticos ou com décadas de existência, mas que permitiu de certa maneira a “preservação” de um bem digno de apreciação.

A história da EFANOR (Empresa Fabril do Norte), bem conhecida, remonta a 1904 através da visão do empresário Delfim Pereira da Costa, que a inaugurou em 1907 para a produção de carrinhos de algodão para coser e bordar – pelo que ficou também conhecida pela Fábrica dos Carrinhos da Senhora da Hora. O seu trabalho foi posteriormente seguido pelo empreendedor Manuel Pinto de Azevedo (que está injustamente relacionado com outros imóveis degradados já descritos neste blogue – sobretudo na Rua do Bonfim), que adquire a fábrica em 1922. Representativa de uma era de importante desenvolvimento industrial do nosso país, a EFANOR chegou a ter mais de 3000 trabalhadores e foi pioneira tanto em maquinaria como no apoio social concedido aos operários, que além de um bairro com dormitórios incluía uma creche para os seus filhos e até um complexo desportivo, jamais descurando ainda a garantia de cuidados médicos e amplos refeitórios para alimentar os colaboradores.


É certo que os seus trabalhadores passaram por tempos muitos difíceis ao longo dos tempos, mas a machadada final ocorreu nos anos 90 do século XX, quando o complexo fabril encerrou de vez na transição para uma era em que a China ganhou maior protagonismo na produção têxtil e a União Europeia abriu os seus mercados para escoamento dos seus produtos com as garantias fiscais com as quais indústrias têxteis dos estados-membros como o nosso nunca (ou dificilmente) poderiam competir.

Histórias à parte, o Colégio EFANOR, que é propriedade da SONAE, ainda ocupa o edifício administrativo da antiga fábrica, mas o pequeno edifício da tintura, com a sua visível chaminé e rasgado por amplos janelões, mais não é do que uma trágica ruína que se destaca na paisagem. Aparentemente, o contrato com a Fundação de Serralves para a instalação de um pólo no local ainda não permitiu que (o que resta d)o edifício e a sua maquinaria sejam poupados à acção do tempo.




Recentemente, a Câmara Municipal de Matosinhos demonstrou todo o interesse em dar um passo em frente para auxiliar e agilizar o seu processo de reabilitação enquanto intervém na requalificação do espaço envolvente.

27/03/2014

O Destino da Fábrica do Cobre


O destino do complexo fabril da antiga Sociedade Portuguesa do Cobre continua a ser incerto. Situada em Campanhã, junto da Circunvalação e muito próxima da cidade de Rio Tinto, permanece como um local vazio e degradado. Há fábrica abandonadas do norte a sul do país, muitas das quais são hoje em dia autênticas carcaças, testemunhas tristes e silenciosas de tempos em que o sector económico de Portugal foi dominado pelo sector industrial. A cidade do Porto não é disso excepção e o estado completamente arruinado da Fábrica do Cobre deixa-nos desolados.


Não vale a pena fingir que esta ampla carcaça fabril é tão emblemática quanto a antiga Fábrica de Cerâmica das Devesas ou quanto o antigo Matadouro Industrial de Campanhã (que certamente necessitam de ser reabilitados), ou que a sua recuperação é de todo prioritária para a nossa cidade. Também é certo que uma das melhores soluções para o reaproveitamento do complexo passa pela demolição das paredes ainda existentes (referimos isto com algumas reticências). Mas nas mãos de particulares também questionamos porque nunca se ponderou fazer uso da estrutura já existente da fábrica, reabilitando-a dentro do possível, e projectado uma função completamente diferente e ainda assim rentável.


O destino da Fábrica do Cobre tem de ser fatal, tal como a antiga Fábrica de Sabão de Lordelo do Ouro, recentemente demolida para combater o tráfico e o consumo de droga?

Uma das últimas notícias dá conta que a SONAE colocou à venda o terreno da fábrica em 2010 pelo preço de 10 milhões (anos após a rejeição da Câmara Municipal do Porto da transformação da fábrica num novo hipermercado). O objectivo determinaria que o local em questão serviria para habitação ou instalação de serviços de comércio, mas desde então nunca mais o terreno foi vendido ou se fez coisa alguma.


Deixamos a questão ao leitor: O que faria com todo este complexo arruinado se tivesse meios para investir e reaproveitá-lo? Deixe-nos a sua sugestão, por favor.

25/03/2014

Fábrica do Bonfim Nº326


Em 1882, o industrial Carlos da Silva Ferreira requer licença para construir o Nº326 da Rua do Bonfim, junto à sua já existente fábrica de fiação e tecelagem de algodão (uma entre várias situadas na mesma rua), que funcionava com pouco mais de uma dezena de funcionários. O Nº326 servia então de habitação junto à fábrica e apresentava uma fachada nobre, imponente, carecterística da época, com altos janelões rectangulares, uma alta porta e vários gradeamentos trabalhados em ferro.

Já em 1901, quando a fábrica já passara para a direcção de Manuel Pinto de Azevedo, é requerida uma nova licença para ampliá-la. A fábrica voltará a sofrer uma nova ampliação em 1916 e, vinte anos depois, amplia-se de tal maneira que toma conta do interior do edifício, com o intuito de melhorar as condições de higiene e trabalho dos seus operários, contando com projectos dos arquitectos Manuel da Silva Passos Júnior e Leandro de Morais, ambos discípulos de Marques da Silva, com a participação dos engenheiros Mário Borges e Jorge Vieira Bastian.

Manuel Pinto de Azevedo é um dos maiores empreendores da sua época e este edifício testemunhou-o. Criou um autêntico império industrial e destacou-se na sua actividade política, bem como a preocupação social pelos seus operários. Se não tivesse sido o forte investimento deste industrial, a Rua do Bonfim, bem como a freguesia, jamais seria a mesma. 

24/01/2014

A Fábrica de Cerâmica das Devesas


A antiga fábrica de Cerâmica das Devesas foi fundada nos anos 60 do século XIX pelo canteiro marmorista António Almeida da Costa que fez sociedade com o notável escultor e ceramista José Joaquim Teixeira Lopes e outros. Juntos, criaram uma das mais importantes e bem-sucedidas fábricas de cerâmica da Península Ibérica, cujos produtos vieram a ter uma ampla aplicação na arquitectura do nosso país. Só para se ter em conta a sua importância, convém referir que José J. Teixeira Lopes, principal artista da fábrica, criou um curso de desenho e modelação que influenciou uma geração inteira de artistas, dando origem à Escola Industrial Passos Manuel, em Vila Nova de Gaia, e servindo de inspiração para os seus dois bem-sucedidos filhos António Teixeira Lopes (escultor) e José Teixeira Lopes (arquitecto).


A Fábrica de Cerâmica das Devesas tornou-se um gigantesco complexo industrial que incorporou os melhores artistas da época. Actualmente, num único passeio pela cidade do Porto, é possível reconhecer casas e palacetes cobertos de azulejos ou com tijolos e estatuetas originais desta importante fábrica.


Como complexo industrial, estendeu-se à própria Estação Ferroviária das Devesas e deu origem a um completo bairro operário no qual residiam os seus trabalhadores. A fábrica chegou a ter a sua própria fundição onde foram explorados objetos decorativos em ferro. A sua loja no Porto, na Rua José Falcão, que corresponde a um palacete revivalista islâmico, ainda conserva o que esta fábrica produziu de melhor, com uma bela fachada revestida de azulejos neoárabes. Temos aqui o melhor exemplo da associação entre a arte e a indústria que resultou numa grande empresa de qualidade – uma característica que parece ser de outros tempos, quando Portugal foi um país de maior capacidade produtiva.


A Fábrica de Cerâmica das Devesas é no mínimo emblemática e tem espaço mais que suficiente para servir de museu e albergar serviços ou pequenas empresas. Esteve inclusive para ser transformada num museu em meados dos anos 80 do século XX, quando já estava encerrada. E até o IGESPAR esteve em vias de classificá-la, nos anos 90. No entanto, na actualidade, continua desaproveitada e é uma pena, pois toda a sua recuperação (a par de outros locais emblemáticos como parte da Fábrica do Fojo e a Fábrica de Santo António do Vale da Piedade) catapultaria Vila Nova de Gaia como uma séria cidade candidata a ser classificada pela UNESCO, que só poderiam nomear todos estes complexos no seu conjunto como o melhor dos exemplos do património industrial da cerâmica do norte de Portugal que caracterizou toda uma época.




21/01/2014

Fábrica/Armazém de João F. Carvalho


A fábrica e armazém que hoje situa na Avenida Fernão de Magalhães é um exemplo de exclusividade industrial por um motivo: combinava um espaço fabril com habitações completas num único edifício.

Foi no início dos anos 30 do século XX, quando a Avenida Fernão de Magalhães ainda não havia chegado ao Campo 24 de Agosto que o industrial João da Fonseca Carvalho requereu licença para a construção deste prédio que hoje está abandonado.



Constituído por três pisos, sob uma linguagem mais austera da Art Deco, o projecto do prédio esteve a cargo do engenheiro Joaquim de Oliveira Ribeiro Alegre, muito envolvido nos projectos de urbanização nas colónias portuguesas (principalmente em Moçambique); continha uma garagem no rés-do-chão e um escritório no primeiro andar, enquanto as partes restantes serviriam para habitação. O último piso tornou-se um salão único, servindo de ampliação à fábrica do proprietário que já funcionava num prédio contíguo, onde foram instalados teares.

Apesar da sua imagem devoluta, trata-se de um dos valiosos exemplos da forte indústria que noutros tempos caracterizou a freguesia do Bonfim. Quem sabe e talvez um dia se possa reabilitar este mesmo prédio e fazer dele o mesmo género de complexo habitacional que surgiu com a reabilitação da Antiga Fábrica da Companhia Aliança, na Rua de Santos Pousada...

02/01/2014

Fábrica Monteiro e Filhos



A beleza das linhas da Arte Nova está sempre à espera de ser (re)descoberta em muitos dos melhores exemplos da arquitectura do início do século XX na cidade do Porto. A fábrica “Monteiro e Filhos”, conforme estaria pintado nos azulejos no topo das fachadas do edifício, é um desses exemplos.

O notável edifício, situado na esquina da Rua de Santos Pousada com o Campo 24 de Agosto, foi desenhado por António Rodrigues de Carvalho em 1914 para João Joaquim Monteiro, para que servisse simultaneamente de habitação e fábrica, com oficina anexa de ourivesaria.

É um edíficio ainda em posse da mesma família e com utilidade. Os estragos vísiveis nas suas fachadas (que carecem de uma limpeza) dizem mais respeito a actos de vandalismo do que propriamente um descuido dos seus proprietários, que mantêm o interesse em recuperar este belo exemplar de arquitectura à sua completa dignidade e à restituição dos seus azulejos originais para uma futura reapreciação do imóvel.

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