26/08/2014

Palacete da Rua das Taipas


Este palacete, tal como o vizinho Palacete de Vilar de Perdizes e o Palacete dos Maias na Rua das Flores, é uma das raras habitações de famílias nobres situadas dentro da cintura de muralhas da cidade do Porto, no meio da população. Tendo em conta que a presença e fixação de nobres eram escassas ainda durante o século XVI e que tal começa a intensificar-se apenas com o domínio filipino e durante o século XVII, presume-se que algumas das casas mais distintas da cidade pertenceram sobretudo a famílias burguesas e, tendo em conta a localização deste palacete, é provável que a sua origem remonte à residência de uma dessas ricas famílias de tradição mercante que então residiam na Rua das Taipas.

Certo é que o palacete com o número 74 foi alterado durante os dois séculos seguintes, embora mantenha uma sobriedade e características formais próprias do século XVII. O brasão em pedra que embeleza a entrada principal, apesar da moldura barroca, poderá ser apenas do século XIX, época em que terão sido sacrificados provavelmente alguns elementos decorativos de períodos anteriores e se fizeram profundas alterações a nível dos telhados (e possivelmente a redução da altura do primeiro piso, ao qual poderão ter sido sacrificados frontões que encimavam os janelões rectangulares deste). O brasão é o da família Leite – comprovando a sua fixação neste edifício talvez já no século XVIII (senão antes).

Não é fácil concluir quando o palacete deixou de ser uma residência nobre ou como acabou por ser cedido a outros particulares; talvez tenha sido abandonado durante o período do Cerco do Porto (1832 – 1833). No início do século XX serviu de sede ao Clube Inglês, que se fixou posteriormente noutro palacete nobre próximo, na Rua das Virtudes. Funcionou ainda como uma drogaria que aparentemente se manteve até à segunda metade do século XX, mas já durante esse período exibia alguns danos e sinais de desprezo que se intensificaram durante as últimas décadas, que resultaram em mais um exemplar do património abandonado na cidade do Porto.

Mais que ser reabilitado, este imóvel merece uma reavaliação e um digno estudo arqueológico para que as suas origens sejam mais conclusivas e o seu lugar na história da arquitectura privada do Porto seja devidamente reconhecido.

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