09/02/2016

Fundos Comunitários da Portugal 2020 vão apoiar pela 1ª Vez Investimentos na Habitação

Um novo instrumento financeiro para a Reabilitação Urbana estará disponível através do IFRRU 2020 a partir do segundo semestre de 2016. São 2 Mil Milhões de Euros que poderão ser utilizados através de qualquer entidade pública ou privada que assim se poderá financiar em condições mais vantajosas para reabilitar edíficios. E pela primeira vez os fundos comunitários irão apoiar investimentos na Habitação para além do comércio, turismo e de outros serviços. Os munícipios estarão envolvidos, tendo assento no comité de investimento e determinando os territórios comprioridade a reabilitar (no caso da cidade do Porto, além do Centro Histórico e de várias freguesias, foi óptima a iniciativa de estender a ARU a Campanhã, após décadas de desprezo deste território singular que conjuga características de cidade e campo). 

Aliando-se benefícios fiscais e melhores instrumentos em termos de financiamento, talvez a Reabilitação Urbana venha a destacar-se ainda mais na cidade do Porto e a contribuir para que se melhore a imagem de tantos prédios históricos que na prática precisarão de uma remodelação profunda para serem reabitaveís. 

Fonte:


08/02/2016

A Fábrica de Conservas Vasco da Gama


No gaveto entre a Rua Conselheiro Costa Braga e a Avenida Menéres situa-se uma das várias unidades industriais de conservas abandonadas de Matosinhos – A Fábrica Vasco da Gama. No entanto, mesmo mantendo em relevo a descrição da empresa a que pertenceu, na realidade é sucessória de uma primeira fábrica, tendo servido de primeiras instalações à produção das conservas d’A Boa Nova, fundada em 1920, enquanto a Vasco da Gama teve a sua primeira fábrica no concelho de Matosinhos na Rua Sousa Aroso antes de se expandir e ocupar a que referimos um bom tempo depois.

Através da gerência desta fábrica confiada a António Costa Neiva e a Narciso Barroso em 1939 dar-se-ia origem à empresa Vasco da Gama Lda., instituída em 1941. A empresa ganhou notoriedade e aumentou em grande parte o volume das exportações, começando ainda a produzir as suas próprias latas de conserva. Infelizmente, esta fábrica encerrou funções em 1995 e desde então permaneceu abandonada e está num estado devoluto. A sua arquitectura segue as linhas da Art Deco e na realidade representa parte do muito interessante património industrial de Matosinhos, pelo que não será de admirar o recente anúncio da intenção da câmara municipal em reabilitar e instalar nesta fábrica o futuro Museu da Diáspora e da Língua Portuguesa, que poderá começar a funcionar a partir de 2017 e cuja notícia reconhecemos com ânimo. 

05/02/2016

Prédio Nº11 do Largo do Viriato

É lamentável que este prédio de habitação já se encontre abandonado e com sinais de degradação há tantos anos (embora não seja o pior caso) – tanto mais que foram muitos os esforços feitos para tentar vendê-lo. Um tanto austero e despojado, só se destacando pelos gradeamentos das estreitas varandas e o seu conjunto de três janelas no último piso, estreito e diferenciado, relembra alguns dos velhos prédios do final do século XVIII erguidos durante a Época dos Almadas, embora seja cem anos mais recente ("pós-almadino").

O prédio foi mandado construir por Manuel Joaquim de Araújo Costa em 1883, que nele habitou a partir dessa data. Não há muito mais a dizer sobre este homem para além de ter sido proprietário de outros prédios, arrendando os seus apartamentos – incluindo na Rua do Almada como o que ocupa os números 508-510-512-514, erguido em 1855 e que apresenta uma arquitectura semelhante. Mas Manuel Joaquim de Araújo Costa também se destaca por ter sido um dos membros fundadores do Club Portuense em 1857, dando-nos a comprovar que a sua área de actividade centrava-se muito naquela área da freguesia de Vitória em especial (que foi mais tarde ocupada pelo Palácio Conde de Vizela, pelo Hotel Infante Sagres e outros edifícios que na verdade fazem parte da actual zona da movida de uma forma geral).

Ruínas de Prédio-Fábrica na Rua da Bandeirinha



Do que resto do que outrora chegou a ser uma fábrica destinada a refinação de açúcar, torrefação de café e produção de chocolate é a sua bela fachada que dá conta de várias décadas de utilização (e provavelmente com propósitos diferentes) até cair no abandono. Não sabemos (ainda) a sua história recente; apenas de que está em ruínas «há uma dúzia de anos (?)» e que só passa despercebida por se situar na estreita e pouco frequentada Rua da Bandeirinha.

Apesar de tão pouco sabermos sobre o seu passado recente, conhecemos as suas origens. Antes de ser um prédio, com a actual configuração, foi na verdade um local ocupado por outros destinados a habitação. É preciso referenciar que esta rua tem séculos e uma ocupação muito antiga e assim o confirma a antiguidade de alguns edifícios presentes (séc. XVII – XVIII) e a história da freguesia de Miragaia, que revela a existência de habitações de pescadores e da população judaica neste arrabalde. No entanto, o passado mais remoto que conhecemos do terreno onde se situa o prédio em questão fala-nos de uma proprietária de nome Felismina Adelaide Rodrigues Aires de
Gouveia que em 1883 constrói aqui um primeiro prédio, cujos números indicam que seria bem mais estreito do que o actual (ou do que resta dele). Posteriormente, já em 1920 outro proprietário chamado Abel de Lacerda constrói outro prédio mesmo ao lado do mais antigo (erguido por Dona Felismina). Mas passados apenas três anos, em 1923, o empreendedor Tomás Augusto Ferreira é que adquire ambos os prédios e constrói sobre ambos o edifício que ocupará parte do antigo prédio de Dona Felismina e o de Abel de Lacerda, tencionando ali construir a sua fábrica. 

Como fachada de fábrica é sugestiva. Dá ideia de ser um palacete embelezado por alguns elementos vegetalistas de influência barroca que contrastam com a restante austeridade do edifício, contrária à opção de usar os mesmos detalhes em painéis de azulejos segundo a moda da Belle Époque (anterior à deste período de transição, que vai passar a incorporar uma linguagem mais severa, sem contudo abdicar de alguns ornamentos com toques de revivalismo, e abrir caminho à Art Deco). Mas é provável que a própria fachada tenha sido idealizada numa data posterior à instalação da própria fábrica e alguns registos comprovam que Tomás Ferreira alterou o seu projecto várias vezes entre 1923 e 1924, contando com o apoio do mestre-de-obras Justino de Fontes Santos - e sempre se referindo às suas alterações posteriores como «prédio» e não como fábrica.

03/02/2016

Casa Devoluta na Alameda de Basílio Teles


E no que toca a esta casa devoluta não sabemos dizer muito... Na verdade, o que poderíamos dizer é muito pouco, pois até causa impressão como é que um pequeno edíficio tão interessante (até bem mais do que muitos outros de tamanho considerável, como prédios e moradias) se encontra neste estado. Fica bem perto de um hostel, destaca-se pelo piso superior saliente (seguindo a arquitectura que caracterizava as típicas casas medievais) corrido por janelas como se fosse uma loggia, destaca-se pelos azulejos de cores quentes que cobrem a sua fachada, e destaca-se também pelo muro avançado de influência Art Deco com vários gradeamentos que simplesmente temos de caracterizar numa palavra já descrita - "interessantes".

Infelizmente ainda não identificamos o(s) seu(s) proprietário(s) original(ais), nem em que ano tenha sido construída (embora saibamos bem que o prédio ao lado, com quem partilha a Travessa do Roleto, data da segunda metade do séc. XIX). Mas continuaremos a investigar e esperamos descobrir mais... se entretanto ninguém tomar posse e reabilitar esta casa.

Hotel Mirassol em Miramar


Inaugurado em 1957 e orientado segundo as linhas do Português Suave, o Hotel Mirassol em frente à Praia de Miramar (Vila Nova de Gaia) foi uma das unidades hoteleiras com maior procura no Litoral Norte durante os finais dos anos 50 e no decorrer dos anos 60 e 70. Mas devido ao desordenamento urbanístico ocorrido em Miramar em torno do hotel – que até não é pior do que em muitos outros locais e freguesias de Vila Nova de Gaia – o lugar sofreu um dano paisagístico e, naturalmente, o Hotel Mirassol veio a perder o seu encanto, acabando por ser obrigado a encerrar nos anos 90.

Desde então, o Hotel permaneceu abandonado e tem vindo a degradar-se até hoje, estando à mercê do vandalismo. É certo que em 2002 parte do hotel e dos edifícios adjacentes de «mau gosto» foram demolidos, a zona marginal costeira foi intervencionada graças à Câmara Municipal de Gaia e desde então que se tem previsto recuperar o edifício principal do hotel para englobar vários projectos de aproveitamento daquela estância. 



O primeiro projecto de reaproveitamento previa adicionar um prédio com vários apartamentos de 4 estrelas para associados do Cofre de Providência de funcionários e agentes do Estado. Mas uma mudança na direcção, ocorrida entre 2006 e 2007 cancelou essa construção e decidiu vender o terreno. Em 2008 foi anunciada então o reaproveitamento do hotel pela Simoga, empresa detida por accionistas da Salvador Caetano. Mas em 2009 o terreno foi novamente vendido e passou para as mãos da AutoPartner Imobiliária SA que pertence à Salvador Caetano. E, desde então, apesar das várias intenções e promessas, o Hotel Mirassol continua a arruinar-se.

02/02/2016

3 Casas de Siza Vieira no Bairro de S. Victor



Já há alguns anos que se fala com interesse das intenções por parte da Escola Artística e Profissional do Porto em criar um laboratório para testar soluções de construção em casas devolutas para replicar a experiência em bairros sociais e ilhas – no fundo tomou como ponto de partida a Reabilitação Urbana e as interessantes experiências do Projecto SAAL (Serviço Apoio Ambulatório Local) que ocorreu entre 1974-76 para tentar corresponder aos problemas da habitação. Essa intenção está na origem da fundação do LAHB Social pelo professor Fernando Matos Rodrigues que funcionou em parceria com a Câmara Municipal do Porto em estudos pela reabilitação de várias ilhas situadas na freguesia do Bonfim.

Mas desde cedo que havia o intento de que o laboratório de habitação se situasse no Bairro de S. Victor. Não se tratava apenas de se aproximarem das circunstâncias da habitação local, no que correspondia à Associação dos Moradores de S. Victor, ou de estudar as ilhas mais próximas do bairro (nomeadamente na Rua de S. Victor), ou de analisar o projecto de Siza Vieira que corresponde ao conjunto de 12 casas desenhadas e erguidas pouco após o 25 de Abril. Tratava-se mais precisamente de reabilitar três casas que foram desenhadas pelo mesmo arquitecto, entre as ruas de S. Victor e das Fontainhas, que pertencem à Câmara Municipal do Porto mas que nunca foram habitadas.

É curioso que enquanto o município se preocupa (ou assim parece) com os problemas da habitação social e que tudo indica que a urgente procura da mesma tenha sido acentuada durante os últimos anos de crise ou que manifeste o interesse em reabilitar as ilhas ao assumir publicamente que tanto os espaços quanto os seus habitantes fazem parte do património do Porto, que estas três casas de Siza Vieira continuem devolutas e que nada do que tanto foi debatido tenha passado de meros intentos.

Fonte:


01/02/2016

Ruínas da Fábrica de Cerâmica do Senhor D’Além

São uma marca de um território há muito desprezado e negligenciado. As ruínas, bem visíveis do outro lado da margem do Rio Douro, fazem parte do conjunto de outras que se encontram em duas encostas paralelas: as ruínas das escarpas das Fontainhas e as da Serra do Pilar.

É triste pensar que só nos últimos anos é que ambos os municípios (Porto e Vila Nova de Gaia) decidiram valorizar estas encostas e procurar intervir no sentido de as tornar mais interessantes a nível paisagístico ou até de proteger o seu património – porque no estado em que ainda estão causam uma má imagem.

As ruínas são o que restam do que na realidade começou como um hospício do século XVIII fundado por monges carmelitas que resistiu até 1834, juntamente com a Ermida do Senhor D’Além (que foi reconstruída várias décadas mais tarde). Posteriormente é que se transformou na Fábrica de Cerâmica do Senhor D’Além, uma das muitas que operou em Vila Nova de Gaia, que funcionou até aos anos 20 do século XX. Desde então o complexo industrial permaneceu abandonado até se transformar num dos montes de ruínas mais conhecidos e notados junto ao Douro.

Mas tal como foi anunciado, já que dispõe de cais e de uma posição privilegiada, prevê-se a sua reabilitação para breve e poderá vir a ocupar um novo hotel.  

Capela do Senhor D’Além

A arruinada e pilhada Capela do Senhor D’Além, na Escarpa da Serra do Pilar em Vila Nova de Gaia, só não se encontra em pior situação devido à estima de alguns sem-abrigo pelo templo que desde há uns anos têm feito o possível para protegê-la. O seu estado não é apenas uma vergonha, é uma marca do triste país onde estamos e a incapacidade (de muitas entidades) em saber proteger ou preservar o seu património.

Construída em 1877 no mesmo local onde existiu outra ermida medieval do século XII que albergou uma imagem do Senhor Crucificado encontrada durante a construção do primitivo Mosteiro da Serra do Pilar e que veio mais tarde a albergar a imagem de S. Nicolau e S. Bartolomeu (a partir de 1500), chegou a fazer parte de um Hospício Carmelita que se acomodou no local já muito mais tarde até ser encerrado em 1832 na sequência da Lutas Liberais. O hospício foi ocupado passados poucos anos por uma fábrica de louça, mas actualmente não passa de um monte de ruínas – o mais descarado da margem sul do Douro junto a Vila Nova de Gaia.

Apesar de ter mantido o seu culto durante bastantes anos, acabou por ser encerrada em tempos recentes. Mas uma vez que a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia anunciou a sua intenção de lançar um concurso público para a consolidação da escarpa da Serra do Pilar e como o empresário Mário Ferreira (da Douro Azul) pretende erguer um hotel num dos edifícios em ruínas junto à Capela, está prevista a sua reabilitação para breve. 

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