19/01/2016

Casa Nº541 da Rua de Santos Pousada

No ano em que este pequeno prédio para habitação foi erguido, em 1913, a Rua de Santos Pousada era designada por Rua de S. Jerónimo. E o proprietário responsável pela construção deste prédio foi Salvador Gonçalves Valentim, que contara com o apoio do mestre-de-obras José Maria de Barros, embora se presuma que o desenho seja do proprietário. Mais tarde Salvador Valentim torna-se arquitecto e passa a assinar projectos, sendo responsável por fazer várias alterações na sua casa ao longo dos anos seguintes.

A actividade de Salvador Gonçalves Valentim como arquitecto na cidade do Porto é conhecida e está bem referenciada devido ao seu projecto da magnífica Garagem que corresponde aos os Nºs 140 - 144 - 150 - 156 - 160 da Avenida de Camilo, com uma nítida influência Arte Nova severa da qual se destaca o curioso painel de azulejos no remate central da fachada. Mas como criativo, Salvador Gonçalves Valentim fez mais do projectar edíficios e, em 1929 ergue uma oficina de ourivesaria nesta mesma casa. 

Actualmente o pequeno prédio encontra-se à venda, mas apresenta um estado calamitoso, agravado pela ausência parcial de paineis de azulejos, portas e portadas de janelas degradadas e parte da fachada ocupada por vegetação.

As Obras do “Monumental” continuam…



As obras do antigo Café Monumental continuam… para ser devolvido à cidade do Porto como hotel. É certo e merecido que o anúncio da requalificação deste magnífico edifício situado na Avenida dos Aliados já deveria ter sido destacado há muito – ocorreu em 2014, quando o empresário Mário Ferreira deu a conhecer o seu interesse em adquirir este imóvel dos anos 30, que é um autêntico palacete, para posteriormente apresentar o seu projecto para reabilitá-lo e transformá-lo num hotel de 5 estrelas.

Trata-se de um investimento de 20 milhões de euros que lhe restituirá toda a dignidade. O fim das obras e a sua inauguração como “Hotel Monumental” estão previstos para o início de 2017. Esperamos que desta vez, a ocorrer a próxima visita do Papa ao Porto, um dos mais nobres edifícios da cidade não se encontre completo coberto por toldes para ocultar a sua vergonhosa degradação. Enquanto as obras prosseguem, acompanharemos a sua reabilitação com todo o interesse.

18/01/2016

A saída do LAHB Social da Ilha da Bela Vista



Tinha tudo para funcionar bem e acabou por não funcionar. É a isto o que se resume a existência de um Laboratório de Habitação Básica e Social para acompanhar a Reabilitação da Ilha da Bela Vista, o que nos deixa apreensivos.

Há muito que estamos familiarizados e destacamos o notável papel do antropólogo Fernando Matos Rodrigues, um dos maiores especialistas sobre os antigos bairros operários e ilhas (embora semelhantes, não devem ser confundidos) instalados durante o século XIX na cidade do Porto. Poucos se deram a um estudo tão extensivos deste género de habitações e comunidades únicas que estiveram em vias de desaparecer ou que lamentavelmente se degradaram até obterem a actual imagem que temos destes locais – pobres, devolutos, sem as mínimas condições para habitação. No entanto, através do trabalho desenvolvido por Fernando Matos Rodrigues, fomos levados a considerar estes velhos bairros populares e os seus moradores como parte do rico Património do Porto, um património que convinha ser preservado e sobretudo reabilitado para garantir o máximo de qualidade e dignidade para os residentes ainda fiéis às antigas moradas dos seus pais e das suas distintas comunidades (que em muitos aspectos, devido à proximidade entre os vizinhos, ainda são bem mais solidárias do que muitas espalhadas pelos bairros sociais do Porto desenvolvidos durante o Estado Novo e cujo modelo de habitação, infelizmente, ainda não foi inteiramente ultrapassado).

Como fundador do LABH Social – Laboratório de Habitação Básica e Social e no seu acompanhamento no processo experimental de recuperação da Ilha da Bela Vista, equacionando projectos de alunos da Escola Superior do Porto (ESAP), estamos perfeitamente conscientes que Fernando Matos Rodrigues deu um passo importante no sentido de replicar um modelo de reabilitação que futuramente (esperamos) seja aplicado na requalificação das restantes ilhas do Porto. Esse é um aspecto que teremos de frisar dado todo este interesse em menosprezar algo tão importante quanto um LABH Social e o papel de outras disciplinas na área da Reabilitação Urbana. É por isso que lamentamos este afastamento, tão mal-esclarecido, de um verdadeiro profissional e de um valioso meio que ainda podem representar um papel de maior destaque no futuro da requalificação e repovoação do centro da cidade e no debate em torno de um novo paradigma (ainda ausente, mas em meados de ser desenvolvido) para a Habitação Social nos Centros Históricos. 

Fonte:

15/01/2016

Moradia Nº32 e 36 na Rua de Brás Cubas

Actualmente, a Rua de Brás Cubas é uma das artérias que mais passam despercebidas entre as várias ligações possíveis à Avenida de Fernão de Magalhães e poucos também se apercebem que Brás Cubas é o nome de um fidalgo português nascido em 1507 que fez algumas explorações por sua conta no Brasil, tendo mesmo fundado algumas povoações. Curiosamente, esta rua nem sempre teve o nome deste explorador português do séc. XVI, tendo sido antes, na sua origem e durante uns anos, conhecida por Rua Particular à Avenida Fernão de Magalhães (indicando o seu carácter privado).

Mas o que mais nos chama a atenção nesta rua estreita é história por detrás de uma moradia devoluta – aliás, não deixaremos de frisar que por detrás de cada bem patrimonial esquecido, abandonado, devoluto ou já em fase de ruínas existe sempre uma história por contar. Pois os imóveis do Porto são assim: sempre recheados de história. Esta casa que descrevemos corresponde aos números 32 e 36 e o seu projecto data de 1933, tendo sido erguida entre os finais desse ano e 1934. Não nos parece errado afirmar que está patente uma nítida influência Art Deco – recebeu uma influência severa, mas nítida a partir do corpo central da fachada e dos frisos superiores com uma estilização muito própria da época.

O proprietário que mandou erguer este imóvel chamava-se António de Sousa Ramos e fê-lo com o objectivo de o dividir em duas habitações para dois diferentes moradores. Tudo indica que fê-lo com o propósito de arrendar. O seu arquitecto foi Mário Abreu, um dos arquitectos mais activos do Porto que, em colaboração com Mário Augusto Ferreira de Abreu, durante os anos 30 e inícios dos anos 40 do século XX foi responsável por nos ter legado muitas obras privadas digno de interesse. 

O Quiosque do Largo Mompilher foi Retirado

A notícia foi avançada muito recentemente por um dos nossos seguidores e hoje foi noticiada. Finalmente o Quiosque Japonês (ou o que resta dele) do Largo Mompilher foi retirado para ser devidamente restaurado, desta vez pelos próprios serviços municipais. 

O Quiosque diferenciava-se dos demais por ser privado - não podendo o munícipio intervir prontamente na salvaguarda deste bem devoluto -, pelo que só a classificação de Imóvel de Interesse Público poderia tê-lo poupado a um destino pior.

Ainda não há uma data avançada para a sua recolocação, mas pelo menos será devidamente poupado ao vandalismo e abre-nos as expectativas de o vermos com um aspecto mais digno. 

Ver mais sobre o quiosque em: http://portosombrio.blogspot.pt/2016/01/o-quiosque-japones-do-largo-mompilher.html

Fonte:

http://www.publico.pt/local/noticia/quiosque-japones-do-porto-foi-retirado-para-ser-recuperado-1720257



14/01/2016

Antiga Estação Ferroviária da Boavista


Apesar de só restar o principal edifício da estação, a sua história já é amplamente conhecida. O Porto foi dotado de uma estação de nome oficial «Estação Ferroviária Porto-Boavista» que ficou bem mais conhecida por Estação da Boavista. Foi projectada pela Companhia de Caminho de Ferro do Porto para ligar a cidade até à Póvoa de Varzim e, apesar de ter sido inaugurada em 1875, a construção desta importante estação foi apenas concluída em 1876. Mais tarde, a linha ganhou outros troços e maior importância através de várias ligações (Famalicão, Senhora da Hora, Guimarães), ganhando um interface mais perto do centro da cidade na zona da Trindade (durante os anos 30).

Apesar do fluxo de passageiros da Estação da Trindade ter ultrapassado em muito esta estação, nunca deixou de representar o seu papel no conjunto de linhas ferroviárias senão até meados de 2000, quando acabou por ser desmantelada em virtude das obras para adequar antigas vias ao metro e no decorrer das alterações da Porto 2001. A partir de então o El Corte Inglês manifestou todo o interesse em usar o terreno do terminal férreo desmantelado para erguer uma nova loja no Porto. Claro que devido a critérios mal estudados – ou até mais mal pensados – o El Corte Inglês acabaria por se instalar antes em Vila Nova de Gaia no decorrer de um parecer negativo da Câmara Municipal do Porto durante o mandato de Rui Rio.

A área do terreno desaproveitado a norte da Praça Mouzinho de Albuquerque e o edíficio da Estação (a azul).


Os argumentos para esta nega da câmara baseavam-se em lógicas de riscos para o comércio tradicional na área; depois passaram para os riscos do esvaziamento de esvaziamentos da baixa e, na verdade, percebemos que não há lógica nenhuma no que se baseia em mesquinhices quando ironicamente se pretendia transformar o Mercado do Bolhão (ícone do comércio tradicional!) num shopping e, posteriormente, assistimos ao desenvolvimento dos serviços e do comércio na zona de Gaia onde se instalou o novo El Corte Inglês.

Independentemente da questão do Porto (não a sua área metropolitana, felizmente) ter perdido o El Corte Inglês, que manteve mesmo assim o interesse em instalar-se na Boavista, o terreno e a estação (esta ainda pertence ao Estado) permaneceram abandonados. Será difícil contemplarmos nos próximos ano alguma utilidade válida que não assombre aquela área desperdiçada, ao qual não somos imunes à idealização de mais um espaço verde que ligasse a Estação de Metro do Porto à Praça Mouzinho de Albuquerque e uma estação transformada em café ou em qualquer outro tipo de serviço em lugar de no seu conjunto constituírem mais um espaço desprezado sem utilidade. Mas o El Corte Inglês ainda pode acabar por levar a cabo a sua intenção inicial de ocupar o espaço vazio, o que afinal de contas não seria tão mau.

A (des)Protecção do Património


Nas últimas semanas têm sido divulgadas várias chamadas de atenção que incidiram sobretudo sobre as redes sociais até alcançarem outros meios de comunicação. Talvez a mais notada tenha sido a urgência da protecção imediata de um dos monumentos históricos mais ameaçados da Europa, que é o Palácio de Valflores em Santa Iria da Azoia, em Loures. Obra do século XVI e que foi residência de um feitor na Flandres durante a época do rei D. João III, suscitou toda a atenção e o interesse — Principalmente porque mesmo sendo único corre o risco imediato de cair!

Ora, o Palácio de Valflores pode ser um dos monumentos históricos mais ameaçados de Portugal e até da Europa, mas como bem sabemos não é único. Se as chamadas da atenção sobre o risco de derrocada de um prédio histórico com cerca de cem anos ou mais viessem mais vezes parar às notícias dos telejornais, os portugueses facilmente reconheceriam centenas, espalhados de norte a sul do país. Claro que não vamos estender aqui a lista. Apenas sentimos que devemos falar dos casos recentes noticiados:

Existe o caso da Capela do século XVI da Quinta de S. João da Ventosa na Azinhaga (Golegã), que corre igualmente o risco de ruir e cujo caso foi noticiado no final do mês passado de Dezembro de 2015, um palácio do século XVIII, que é o Paço Real de Caxias, que está sobre tutela militar e que mesmo assim continua a ser vítima de vandalismo (não existem militares suficientes para vigiá-lo?), e depois circulam os alarmes nas redes sociais sobre os riscos imediatos que correm vestígios arqueológicos como a antiga cidade romana de Balsa, em Tavira, e o próprio Túmulo de D. Dinis (!) no mosteiro cisterciense de S. Dinis em Odivelas…

Isto tudo já seria suficiente para perguntar o que raio se passa neste país para se desprotegerem tantas obras que exigem algum cuidado e a devida manutenção para só se notabilizarem ou chamarem as atenções quando já estão praticamente arruinados ou exigirão um valor avultado para serem devidamente resgatados. É preciso concluir que há aqui alguma coisa errada. 


13/01/2016

Presidente da Câmara do Porto Garante Obras no Mercado do Bolhão Mesmo sem Verbas Europeias


É uma notícia cujo título fala por si só. Enfim, é uma boa notícia. A Câmara Municipal do Porto anunciou ter verbas suficientes para reabilitar o mercado mais emblemático da cidade.

A autarquia espera obter cerca de 23 milhões de euros de fundos europeus, já que o projecto de reabilitação do Mercado do Bolhão também contempla um túnel (!) entre as ruas Alexandre Braga e Ateneu Comercial e a construção de um mercado provisório que irá ascender a factura aos 27 milhões de euros (não é preciso entrar em grandes detalhes no que toca ao desafio de uma obra de um túnel no solo pantanoso que é o Bolhão e no que isso implica - agravando a factura).

Acima de tudo, o que pretendemos, é ver um dos principais palcos de visitas da cidade reabilitado. Há mais de dez anos que este Mercado e os comerciantes que lá trabalham merecem mais.

Fonte:

http://www.porto24.pt/cidade/rui-moreira-garante-obras-bolhao-mesmo-sem-verbas-europeias/

12/01/2016

Benefícios Fiscais a Quem Recuperar para Arrendar

Os benefícios fiscais e outros incentivos prometidos pelo governo para quem pretende reabilitar os seus imóveis para arrendar com preços acessíveis podem funcionar como (parte da) solução para resolver problemas relacionados com as milhares de casas vazias e/ou devolutas das nossas cidades - fenómeno ao qual já sabemos que o Porto não é imune.

O presidente da Associação Nacional de Proprietários acolhe bem a medida, mas é evidente que vários proprietários (e não só) assinalam que é uma medida que peca por tardia (a nível de benefícios fiscais; não de financiamento) - se o sadismo, o distanciamento da realidade ou a falta de criatividade é norma governativa nem vamos andar por aqui a especular porque é que não se fez antes quando era necessário apostar na Reabilitação Urbana e constituir meios de permitir que jovens ou pessoas menos favorecidas pudessem arrendar casa quando os mais vulneráveis corriam maiores riscos de perdê-la. É um fenómeno similar ao fraco esforço com que se garantiu Bancos de Terras - que não foi por falta de interesse  dos munícipios, que contrariaram a inércia governativa ou os fracos projectos "para inglês ver" com a criação de hortas urbanas - ou promover um programa prático de Novos Rurais (ainda vão cair muitas casas e aumentar o número de aldeias desertificadas no interior do país até isso acontecer).

A partir desta iniciativa, talvez se assista a uma mudança que contrarie as asneiras de quem permitiu a liberalização das rendas em altura de crise  Não vamos fingir que os mais vulneráveis é que não ficaram mais prejudicados! Só achamos particularmente curioso que o actual governo só mencione a Classe Média (ainda existe?)... Mas se a prioridade neste incentivo é para o arrendamento desta classe quase extinta, como ficam as classes baixas? É que a maioria dos portugueses com salários abaixo da média - a maioria da maioria - também quer arrendar a preços justos e adequados que não estejam acima do seu próprio salário!

Esperemos que neste conjunto de intenções resulte algo mais prático... e abrangente. Mas, se nos focarmos no copo meio-cheio (talvez até bem mais do que isso, felizmente) há que assinalar que o empréstimo pode corresponder a 90% do custo total da obra de recuperação e até 15 anos com uma taxa fixa na ordem dos 2,9%.

Fonte:





Artigos Populares

Envie as suas ideias!

Nome

Email *

Mensagem *