29/08/2014

Casas Nº26 e Nº29 da Praça da República

Na Praça da República subsistem duas casas centenárias lado a lado que pouco têm em comum senão o seu estado devoluto e se situarem junto da mesma praça. Correspondem ao Nº26 e Nº29, respectivamente.

A Habitação Nº26, tipo prédio, é bastante antiga e já habitada desde o século XIX (ou talvez antes desse mesmo período). Bastante típica entre as casas ditas “clássicas” do Porto, tem uma fachada estreita rasgada por janelas rectangulares com gradeamentos em todos os pisos, com a excepção do rés-do-chão, com três entradas que estão actualmente emparedadas. Destaca-se por ter uma chaminé central. Contando com diversas intervenções, consoante os proprietários que se sucederam, ganhou um novo andar no ano 1895 por vontade do residente Joaquim Simões Silveira. Em 1911 voltou a ser intervencionada pelo proprietário Albano Ramos Pais, talvez para se adaptar e conjugar com o gosto mais aperfeiçoado da casa vizinha, a Nº29, que foi construída nesse mesmo ano.

De fachada elaborada e distinta, com ricos trabalhos em cantaria, só se compara à habitação vizinha por ter uma fachada igualmente estreita. O seu proprietário era o mestre pedreiro António Faria Moreira Ramalhão (1896 – 1936) que a desenhou em 1910 para vê-la erguida no ano seguinte. Fez o trabalho simultâneo de arquitecto, técnico e mestre de obras. É constituída por quatro pisos e ainda por uma arrecadação (que não é visível do lado da Praça da República). Não podemos deixar de apreciá-la devido às suas linhas mais elegantes, com janelas e portas de arcos redondos e pelas suas varandas centrais, principalmente a do terceiro piso, curva, que ainda mantém o seu gradeamento original. Nesta casa podemos apreciar algum eclectismo de influência francesa em conjugação com detalhes da Arte Nova. Arquitecto e sobretudo notável Mestre Pedreiro, como atesta a fachada do Nº29, António Faria Moreira Ramalhão é pouco conhecido e a sua obra na cidade do Porto também passa despercebida (embora podemos encontrar o seu traço nalgumas fachadas em granito de várias habitações do início do séc. XX); esperemos que esta sua bela casa também não caia no esquecimento.

28/08/2014

Quinta dos Salgueiros ou dos Ingleses


Esta quinta situa-se na zona das Antas e é neste momento um verdadeiro conjunto de ruínas que acolhe toxicodependentes ou sem-abrigos temporários, bem como uma extensão de matagal propício à proliferação de ratos. Sem dramas e sem críticas de maior, escapa-nos o motivo pelo qual continua votada ao mais completo desprezo. Já está em ruínas há muito (demasiado) tempo, desde a altura em que foi construído o antigo Estádio das Antas. Está mais que comprovada a sua secularidade, nas quais detectamos elementos barrocos do século XVIII. Nos tempos em que foi habitada deve ter sido uma das propriedades mais aprazíveis da cidade do Porto; desde os finais do século XX que se encontra num estado lastimável.

Já muito foi escrito e debatido sobre esta propriedade abandonada (curiosamente, nunca foi sequer mencionada na Monografia de Campanhã). Estudos, soluções e interesses para reaproveitá-la nunca faltaram aos mais interessados instruídos no assunto. O que falta mesmo é uma acção para recuperá-la e restituí-la aos seus tempos de maior esplendor.


O número 341 ainda marca a entrada principal num portão da propriedade. Continuando por essa entrada deparamo-nos com um antigo obelisco barroco derrubado que fez parte de uma fonte. Atrás dessa fonte, escondida pelo mato, fica uma escadaria que liga à casa principal, de dois pisos e rasgada por várias janelas rectangulares, na qual ainda são vísiveis as várias chaminés das diversas lareiras que possuiu a casa. Do lado esquerdo de quem entra vê-se a capela; atrás da casa segue-se um conjunto de pátios, com mais ruínas de um tanque, de um estábulo e provavelmente do que deve ter sido a casa de criados. Tudo indica que noutra época deve ter tido um conjunto de jardins elegantes, que incluiriam os famosos salgueiros que baptizaram a propriedade.


Ignoramos se esta quinta terá sofrido com os combates do Cerco do Porto entre 1832-33 ou se nela se acomodaram tropas, uma vez que bem próximo existiram dois redutos fortificados onde foram colocados a artilharia dos liberais sitiados. Sabemos é que foi recuperada e continuou a ser habitada após o conflito, até meados dos anos 50 do século XX, pelo menos. Mas não foi a guerra que a destroçou, apesar da sua aparência; foi o desprezo, o tempo e o vandalismo de quem vê num conjunto histórico algo de pouco a estimar.

Poderiamos dizer muito mais sobre esta quinta, mas será escusado, pois as imagens do triste cenário falam por si. Talvez um dia alguém ainda se lembre de nela instalar uma pousada, por estar tão bem situada e conjugar elementos do campo e da cidade. Por enquanto, vai continuar a ser avistada por quem passa na VCI como o mais intrigante monumento no conjunto de outros tantos próximos da Alameda das Antas, que desce até ao Estádio do Dragão.

Sede do Banco Pinto Magalhães

Na esquina da Rua Sá da Bandeira com a Rua de Sampaio Bruno localiza-se este prédio envidraçado que já foi definido por cidadãos como mais um "mamarracho", devido ao forte contraste que causa com os característicos edíficios do centro histórico do Porto. Onde hoje se situa este prédio existiu uma fonte em granito que era bem conhecida ainda na segunda metade do século XX. Hoje a Rua de Sampaio Bruno é pedonal e na esquina já não existe prédios típicos ou a fonte, mas sim um edíficio vazio e sem a menor função. 

A sede do Banco Pinto Magalhães é o exemplo de uma arquitectura moderna, à qual podemos reconhecer a influência dos traços de Mies Van Der Rohe (1886 - 1969), cujas teorias influenciaram e ainda continuam a influenciar toda uma geração de arquitectos, incluíndo certamente Fernando Silva (1914 - 1983), que projectou este prédio em 1962 seguindo as linhas racionais que podemos encontrar em muitas obras do famoso arquitecto alemão. O slogan «Menos é Mais» reencontra eco nesta obra, funcionalista, com o mínimo de elementos decorativos possíveis, procurando o seu valor expressivo apenas no contraste das fachadas em vidro com as lajes de granito polido que revestem toda uma fachada de canto.


O edíficio não se manteve em funções como sede do Banco Pinto Magalhães durante muitos anos. Após o 25 de Abril de 1974 o banco foi nacionalizado, voltou a ser reprivatizado e a história de como a riqueza e o legado empresarial de Pinto Magalhães (SONAE) acabou nas mãos de outro responsável ou como foram feitos esforços para causar a falência do seu banco em 1972 é uma história algo sombria que aqui não nos atrevemos a descortinar. 

Certo é que o Banco Pinto Magalhães já não existe. O que dele restou foram outros edíficios vazios e reocupados com novas funções; mas a sua sede permanece ao abandono e todos ignoram se vai continuar a permanecer assim durante mais décadas.

26/08/2014

Palacete da Rua das Taipas


Este palacete, tal como o vizinho Palacete de Vilar de Perdizes e o Palacete dos Maias na Rua das Flores, é uma das raras habitações de famílias nobres situadas dentro da cintura de muralhas da cidade do Porto, no meio da população. Tendo em conta que a presença e fixação de nobres eram escassas ainda durante o século XVI e que tal começa a intensificar-se apenas com o domínio filipino e durante o século XVII, presume-se que algumas das casas mais distintas da cidade pertenceram sobretudo a famílias burguesas e, tendo em conta a localização deste palacete, é provável que a sua origem remonte à residência de uma dessas ricas famílias de tradição mercante que então residiam na Rua das Taipas.

Certo é que o palacete com o número 74 foi alterado durante os dois séculos seguintes, embora mantenha uma sobriedade e características formais próprias do século XVII. O brasão em pedra que embeleza a entrada principal, apesar da moldura barroca, poderá ser apenas do século XIX, época em que terão sido sacrificados provavelmente alguns elementos decorativos de períodos anteriores e se fizeram profundas alterações a nível dos telhados (e possivelmente a redução da altura do primeiro piso, ao qual poderão ter sido sacrificados frontões que encimavam os janelões rectangulares deste). O brasão é o da família Leite – comprovando a sua fixação neste edifício talvez já no século XVIII (senão antes).

Não é fácil concluir quando o palacete deixou de ser uma residência nobre ou como acabou por ser cedido a outros particulares; talvez tenha sido abandonado durante o período do Cerco do Porto (1832 – 1833). No início do século XX serviu de sede ao Clube Inglês, que se fixou posteriormente noutro palacete nobre próximo, na Rua das Virtudes. Funcionou ainda como uma drogaria que aparentemente se manteve até à segunda metade do século XX, mas já durante esse período exibia alguns danos e sinais de desprezo que se intensificaram durante as últimas décadas, que resultaram em mais um exemplar do património abandonado na cidade do Porto.

Mais que ser reabilitado, este imóvel merece uma reavaliação e um digno estudo arqueológico para que as suas origens sejam mais conclusivas e o seu lugar na história da arquitectura privada do Porto seja devidamente reconhecido.

Prédio Nº20 Rua de Álvares Cabral


Recentemente acusamos o estado de abandono de uma moradia projectada pelo arquitecto Júlio de Brito na Rua de Sacadura Cabral; agora acusamos o estado de desprezo de um prédio de outro conhecido arquitecto cuja actividade também marcou a cidade do Porto durante o período do Estado Novo: Trata-se do prédio Nº20 da Rua de Álvares Cabral, projectado por Rogério de Azevedo (1898 – 1989), responsável por obras modernistas com as linhas rígidas do Português Suave como a Garagem do Comércio do Porto (1930 – 32) na Praça Filipa de Lencastre, a Maternidade Júlio Dinis (1938) em coautoria com outros arquitectos, o Prédio Maurício-Rialto (1942) na Praça D. João I e o Hotel Infante Sagres (1945).

O arquitecto Rogério de Azevedo desenhou este prédio em 1930 para os dois irmãos Álvaro Ferreira Alves e Eurico Ferreira Alves, acabando por ser erguido em 1931, com o apoio do engenheiro Henrique Santos Peres Guimarães. A entrada principal fazia-se através de um portão, o Nº20, que actualmente é flanqueado por outros dois. Deveria servir de habitação colectiva para arrendamento e inicialmente chegou a ter um consultório no rés-do-chão.


Destaca-se pelo contraste de materiais como o reboco e a cantaria e pela sobriedade e simplicidade, de inspiração Art Deco. É uma linguagem comum de muitos edifícios da época, que chegaram a servir propósitos tão similares. O motivo pelo qual este acabou abandonado, e com marcas óbvias de degradação, escapa-nos; mas se a Câmara Municipal desejasse reabilitar algum prédio antigo perto do centro da cidade com o intuito de arrendamento social, este poderia ser um dos melhores exemplos, devolvendo-lhe a sua função original e protegendo em simultâneo a obra de um arquitecto com um legado marcante.

25/08/2014

Moradia Nº65 da Rua de Sacadura Cabral


Já há algum tempo que procuramos estudar e exemplificar este imóvel como mais uma obra de um conhecido arquitecto da cidade do Porto que está ao abandono e para o qual  não parece existir algum projecto para o recuperar.

O arquitecto Júlio José de Brito (1896 - 1956), que também merece um mais digno reconhecimento e ao qual a câmara municipal do Porto poderia promover um roteiro das suas obras - o mesmo propomos, evidentemente, para as obras do famosos arquitecto José Marques da Silva (entre outros que tanto marcaram a nossa cidade) -, projectou esta nobre moradia em 1930 para residência do proprietário João Rodrigues Assunção.

Construída no ano de 1931, a moradia apresenta alguns dos traços mais austeros da Art Deco, que são evidentes na fachada principal, na entrada correspondente ao número 65 que rasga uma parede em cantaria de apoio ao corpo saliente de uma janela dividida em três ângulos muito comuns na arquitectura portuguesa da época e com um magnífico vitral ainda intacto do alto janelão rectangular que ilumina a escadaria interna de acesso ao andar superior. Mas se nesta fachada é evidente alguma dessa linguagem formal, o mesmo não se pode dizer da fachada de muro curvo da entrada nº53 virada para o encontro da Travessa da Carvalhosa com a Rua de Sacadura Cabral, que apresenta uma inspiração mais clássica, erguida essencialmente em betão armado, com uma loggia simples e angular sobrepujada ao nível do primeiro andar com colunas e balaustrada.



É mais uma moradia única na cidade do Porto, similar a tantas por se encontrar vazia e com sinais de degradação. Júlio de Brito pode ter projectado o Teatro Rivoli, a Junta de Freguesia de Cedofeita e muitos outros edíficios marcantes da cidade do Porto durante parte do século XX, mas esta casa ainda não parece ter encontrado destaque pelos melhores motivos no seu currículo.

08/04/2014

Edifício da Ourivesaria do Bolhão


Não pensamos em dar-lhe outra designação senão o edifício da «Ourivesaria do Bolhão», como foi tão conhecida durante décadas aquela esquina com o seu magnífico relógio de metal, de vitrines viradas para a Rua Formosa e a Rua Sá da Bandeira.

O edifício em questão começou a ser construído em 1916, por vontade do proprietário António da Cunha Tamegão e a sua arquitectura caracteriza-se por aquilo tantas vezes definido na cidade do Porto de Arte Nova Tardia, principalmente a nível das varandas e outros gradeamentos em ferro e dos azulejos com elementos vegetalistas, mas com características que ainda reconhecemos em edifícações mais antigas e com alguns mais modernos, ao qual não nos parece injusto designar o imóvel como portador de um eclectismo mais sóbrio. 

Originalmente, o edifício tinha uma planta triangular, mas sofreu várias alterações, com o passar dos anos, sendo os mais marcantes a partir dos anos 20. O primeiro proprietário já havia exigido o levantamento de mais um andar, e Maria Estela de Azevedo P. Spratley, proprietária nos anos 20, também foi responsável por acrescentar mais. O que mais marcou este edifício foi a fundação da primeira ourivesaria - a Ourivesaria Jaime Gomes da Costa e Filhos -que já desde essa mesma altura se instala numa das áreas do edifício que mais tarde dará origem à Ourivesaria do Bolhão.


Foi assim que o conhecemos e talvez seja assim pelo qual os cidadãos do Porto ainda se lembrarão deste imóvel. Este era o local da Ourivesaria do Bolhão. Também acomodou nos pisos superiores a famosa "Casa Forte", um dos locais de comércio mais distintos da cidade, octogenária, onde se vendiam os mais diversos artigos relacionados com vestuário, calçado e material desportivo, que fechou abruptamente em 2004. Os sinais de abandono do prédio eram visíveis em contraste com a ourivesaria resistente. As entradas das montras (e outras) emparedadas representam um sinal de tristeza na Rua Sá da Bandeira - juntamente com outros edifícios vizinhos. Mas a derradeira tristeza para os que muito lamentam os sinais de desertificação no centro histórico do Porto foi quando no final de 2013 se fechou a dita ourivesaria.

Há um relato rude e crítico da forma como foi anunciado o fecho da Ourivesaria do Bolhão: comerciantes e transeuntes assistiram impávidos ao grosseiro derrube do antigo relógio que ficava na esquina; preferiram derrubá-lo e destruí-lo à martelada, na rua, como se não fosse um pequeno pedaço de história elaborado mas um antes um artefacto incómodo e sem valor pronto a ir para o lixo, como acabam muitos bens aos quais nem sempre reconhecemos como elementos dignos de ser preservados...

Os últimos dados que tinhamos davam conta que o edíficio pertencia à Invesprédio, do grupo Bragaparques, que pretendia reabilitá-lo para acomodar lojas de luxo. Até hoje continua a ser mais um edíficio histórico vazio e desprezado, à espera de melhores dias.



03/04/2014

Parque de Estacionamento Silo-Auto


O grande parque de estacionamento situado na Rua Guedes de Azevedo, mais conhecido por Silo-Auto, tem como nome oficial Parque de Estacionamento Sá da Bandeira (ou das Carvalheiras). Na verdade, o nome pelo qual hoje os portuenses o designam provém do grupo Silo-Auto – Companhia dos Parques de Estacionamento S.A.P.L. que mais tarde tomou posse deste parque.

As opiniões dos cidadãos sobre este edifício que foi uma obra de modernização no centro do Porto dividem-se: há quem o designe como o “mamarracho” que ensombra a Rua do Bolhão e roubou um espaço verde à cidade, tornando-a ainda mais cinzenta como produto da especulação imobiliária que decorreu durante os anos 60 de século XX e se previa que fossem necessários mais locais de estacionamento no Porto; há quem o designe de uma obra bonita, moderna e com um bom impacto no sentido funcional, algo neutro na paisagem urbana. Mas no geral os portuenses consideram-no subaproveitado e menos atraente para o estacionamento automóvel do que seria (ou do que supostamente deveria ter sido) há décadas atrás.


Projectado pela Urbal – Urbanizadora Lda. em 1961, e construído durante os anos seguintes, o edifício pode ser descrito como uma estrutura de betão armado cilíndrica de sete pavimentos destinados ao aparcamento, dispondo ainda de estação de serviços, para o qual era ainda originalmente previsto um restaurante no 10º piso e uma pista de gelo para hóquei no 9º piso. Os pilares, as paredes, as vigas e lajes formariam um conjunto de grande pureza formal próprio da sua modernidade. E deveria ser ainda rematado por uma cúpula metálica.

Este projecto ambicioso contou com os arquitectos Alberto Pessoa e Joel Abel Manta, para além das assinaturas dos engenheiros Eduardo Henrique C. Carvalho, Joaquim da Silva Carvalho e Carlos A. Alvim de Castro, que testemunharam e protagonizaram sucessivas alterações no decorrer das obras ao longo da década. O complexo, que continuou em construção em meados dos anos 70, não chegou a ter a sua pista de gelo para hóquei, como se intencionava. E a dada altura, no espaço interior do que deveria ser a pista de gelo, chegou-se a imaginar um espaço a descoberto, com um jardim. Acrescentar-se-ia a isso um amplo espaço de comércio, com um snack-bar adicionado ao restaurante, com pistas de bowling, e ainda mais outro bar.


Actualmente o parque de estacionamento apresenta uma alta cúpula moldada em alumínio revestida em fibrocimento que em nada ajuda a embelezar o seu remate (sendo composto por amianto, também não é um bom elemento para a saúde pública). O tom cinzento do betão, os preços pouco apelativos, o restaurante abandonado (coberto de feias placas verdes de metal) e os sinais de desgaste levam a crer que necessita de uma reabilitação ou de uma intervenção para que se torne algo de mais emblemático e seja convidativo aos automobilistas que pretendam estacionar no centro da cidade.

Sugeríamos que a cobertura de fibrocimento fosse retirada de imediato e o espaço de restauração reaproveitado (talvez pudesse mesmo funcionar como bar ou discoteca, ao qual se poderiam juntar outros mais). A melhor das coberturas poderia passar por ser um tecto verde, mais ecológica, similar à solução encontrada na Estação da Trindade ou até mesmo na renovada Praça de Lisboa. Mas a ideia de isenção de cobertura, ainda assim dispondo de jardim, também não era má para os que desejassem usufruir de esplanadas que permitissem visualizar parte da cidade do Porto do seu topo.


Quanto à feia cor do betão, soluções não faltam, mas passam mesmo por uma vontade de reabilitar esta estrutura no sentido de deixar de parecer o «monstro cinzento» que deprime a paisagem urbana. São cada vez mais os cidadãos que desejam viver numa cidade menos sombria ou cinzenta.


01/04/2014

Edifício de Habitação na Avenida de Montevideu


No ano de 1936, Alberto da Silva Marinho, então proprietário de um terreno junto ao Mar, em Nevogilde, e residente na Rua de Santa Catarina, desejou construir duas casas de habitação num único edifício nesse mesmo terreno. As obras deste projecto tiveram início em 1937 e foram acompanhadas pelo engenheiro Amândio Duarte Pinto. 

Existiu uma alteração do projecto original no andamento das obras, em 1938, mas no geral seguiu-se a orientação pré-definida da arquitectura desta moradia que apresenta dois espaços distintos de habitação. É um edifício que segue as linhas da Art Deco e não deixa de apresentar uma certa imponência, virado para o mar, com duas entradas junto à Avenida de Montevideu.


O mesmo edifício de habitação tem estado vazio de residentes durante bastante tempo e sabe-se que foi motivo de um litígio, quando as suas plantas foram requeridas em 1990 e novamente em 1998. Permanece abandonado e actualmente está para venda, assim, como a moradia vizinha, construída numa década posterior.

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